Relatório americano aponta possível favorecimento ao modelo brasileiro; governo defende neutralidade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil não pretende mudar o funcionamento do Pix, após críticas feitas pelos Estados Unidos ao sistema de pagamentos instantâneos. Durante agenda em Salvador, Lula declarou que a ferramenta “é do Brasil” e que não vai haver mudanças “pelo serviço que ele está prestando à sociedade”, em resposta às avaliações do governo norte-americano.
As críticas constam no relatório anual do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, divulgado no fim de março. O documento aponta preocupações de empresas americanas com um possível tratamento preferencial ao Pix por parte do Banco Central do Brasil, que criou, opera e regula o sistema.
Segundo o texto, a exigência de adesão ao Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas poderia desfavorecer outros provedores de pagamento eletrônico, inclusive estrangeiros como os cartões de crédito das americanas Visa e Mastercard.
A tensão envolvendo o tema não é recente. Em 2025, os Estados Unidos abriram uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas potencialmente “desleais”, incluindo o Pix. Entre os pontos levantados está a decisão do Banco Central, em 2020, de suspender temporariamente o serviço de pagamentos do WhatsApp, ligado à empresa Meta, do empresário Mark Zuckerberg, pouco antes do lançamento do sistema brasileiro.
Na ocasião, o governo brasileiro afirmou que a medida teve caráter técnico e buscou garantir segurança e estabilidade ao sistema financeiro, negando favorecimento ao Pix. A defesa também destaca que o modelo é aberto e não impede a atuação de empresas estrangeiras, além de citar iniciativas semelhantes em estudo por outros bancos centrais, como o Federal Reserve.
Sobre o Pix
Lançado oficialmente em novembro de 2020, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento no Brasil, com ampla adesão de usuários e instituições financeiras. O sistema integra o conjunto de temas citados no relatório americano como possíveis barreiras ao comércio, ao lado de questões como legislação digital, proteção de dados e regras trabalhistas.