Quatro réus respondem por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual; corpo da vítima nunca foi localizado
Terá início na próxima terça-feira (28) o julgamento dos quatro acusados pela morte do caminhoneiro Luciano Boeira Melos, de 27 anos, desaparecido desde julho de 2023, em Bom Jesus, na Serra Gaúcha. A sessão do Tribunal do Júri está prevista para se estender por três dias, com encerramento na quinta-feira (30).
Serão julgados Fabiana Ramos Saraiva, Felipe Silveira Noronha, Flávio Silveira Noronha e José Balduíno Saraiva. Os quatro respondem ao processo em liberdade desde novembro do ano passado, quando deixaram a Penitenciária Estadual de Vacaria após o cumprimento de prisão preventiva.
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os réus são acusados de homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual. O órgão sustenta que o crime teria sido motivado por motivo torpe e praticado de forma a impedir qualquer possibilidade de defesa da vítima. O corpo de Luciano Boeira Melos nunca foi encontrado.
Ainda de acordo com o Ministério Público, após o crime os acusados teriam adotado medidas para dificultar as investigações, incluindo a eliminação de provas, a criação de álibis e o descarte da motocicleta da vítima em um local diferente daquele onde o homicídio teria ocorrido.
As investigações da Polícia Civil apontam que o crime teria sido planejado um dia antes do desaparecimento do caminhoneiro. Segundo a denúncia, após descobrirem o relacionamento extraconjugal entre Fabiana Ramos Saraiva e Luciano, Felipe Silveira Noronha, marido de Fabiana, e José Balduíno Saraiva, pai dela, teriam decidido matar a vítima. A acusação afirma que Fabiana marcou um encontro com Luciano na noite de 26 de julho de 2023 e que ele teria sido atraído até o local, onde os demais envolvidos o aguardavam.
Luciano foi visto pela última vez na noite de 26 de julho de 2023. Antes de sair de casa, informou à mãe, por mensagem, que iria até a cidade. Ao irmão, disse que encontraria uma mulher na localidade de Caraúno. Desde então, não houve mais contato com a família.
A defesa dos acusados ainda pode apresentar sua versão dos fatos durante o julgamento.