Nova taxação entra em vigor no dia 22 e atinge produtos como açúcar, aço, máquinas, etanol e madeira
Os Estados Unidos confirmaram na noite desta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida passa a valer no próximo dia 22 e atinge produtos como açúcar, aço, máquinas e equipamentos, máquinas elétricas, etanol de milho e madeira. Itens como café, carne bovina, laranja e suco de laranja, produtos de energia e componentes da indústria aeronáutica ficaram de fora da nova taxação.
A decisão foi tomada com base em uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. Entre elas estão políticas relacionadas ao Pix, serviços de pagamento eletrônico, plataformas digitais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Em resposta, o governo brasileiro informou que vai acionar imediatamente a Lei de Reciprocidade e voltar a discutir o caso na Organização Mundial do Comércio (OMC). Em nota, a Presidência da República afirmou que não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelos Estados Unidos e classificou a medida como unilateral e incompatível com as regras multilaterais de comércio.
O governo também rebateu as acusações envolvendo o Pix, a regulação das plataformas digitais e o desmatamento. Segundo a nota, o sistema de pagamentos é uma infraestrutura pública de referência internacional, enquanto as críticas sobre a política ambiental brasileira foram classificadas como “absurdas”. A Presidência ainda afirma que o país intensificou o combate aos crimes ambientais e reduziu o desmatamento desde 2023.
A nota também destaca que, durante audiências públicas realizadas pelo USTR na última semana, a maioria das manifestações de representantes do setor privado dos dois países foi contrária à aplicação das tarifas.
O governo brasileiro ainda argumenta que os próprios dados oficiais dos Estados Unidos mostram um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Segundo a Presidência, em 2025, 76% das importações norte-americanas entraram no país sem pagar imposto de importação, enquanto a alíquota média aplicada aos produtos dos EUA foi de 3,1%.
Por fim, o governo informou que pretende ampliar a busca por novos mercados para os produtos brasileiros e adotar medidas para reduzir os impactos das tarifas sobre a economia nacional por meio do Plano Brasil Soberano.