Pré-candidato à Presidência recebeu carta de demandas da Serra Gaúcha, falou sobre segurança pública, economia, tecnologia e pregou união da centro-direita para 2026
Em agenda voltada ao setor produtivo da Serra gaúcha, o pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, utilizou a tribuna da RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul para defender o endurecimento do combate ao crime organizado, criticar a condução econômica do governo federal e apresentar sua visão para o desenvolvimento do país. O encontro ocorreu nesta sexta-feira (29).
Antes da palestra, a CIC Caxias entregou ao pré-candidato a Carta de Princípios e Demandas do Setor Produtivo da Serra Gaúcha, documento elaborado a partir de consultas a lideranças empresariais e sindicatos patronais da região. O material reúne propostas voltadas à competitividade, infraestrutura, reforma tributária, qualificação profissional, segurança jurídica, equilíbrio fiscal e ambiente de investimentos. Entre as prioridades apresentadas estão a conclusão do Aeroporto Regional da Serra Gaúcha, o avanço do Porto Meridional, melhorias na BR-116 e a defesa da negociação coletiva nas relações de trabalho.
Durante sua apresentação, Caiado afirmou que o Brasil precisa recuperar a confiança nas instituições e voltar a ter uma liderança capaz de enfrentar problemas estruturais. Segundo ele, “o candidato à Presidência da República tem que ter autoridade moral para chegar naquela cadeira”, argumentando que somente com credibilidade será possível combater a corrupção, enfrentar o crime organizado e promover mudanças efetivas no país.
A segurança pública foi um dos principais temas abordados pelo ex-governador de Goiás. Ao criticar a atuação do governo federal no enfrentamento das facções criminosas, afirmou que o Brasil não pode continuar sendo uma “Disneylândia de corrupto nem do narcotráfico”. Caiado também defendeu o fortalecimento da cooperação internacional e o uso de tecnologias de inteligência para combater organizações criminosas que atuam em diferentes regiões do país.
Na área econômica, o pré-candidato fez críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao que classificou como falta de responsabilidade fiscal. Para ele, “a situação do Brasil é gravíssima diante das irresponsabilidades do atual governo, que não tem responsabilidade fiscal, nunca lutou pelo equilíbrio fiscal e botou o país numa gastança enorme”.
Ainda sobre a economia, Caiado associou a recuperação do país à reconstrução da confiança nas instituições públicas. Segundo ele, “o que reconstrói um país é a autoridade moral”, defendendo que credibilidade e segurança jurídica são fundamentais para atrair investimentos e estimular o crescimento econômico.
Ao encerrar sua passagem por Caxias do Sul, Caiado reforçou o discurso de que pretende disputar a Presidência da República apresentando uma agenda baseada em segurança pública, responsabilidade fiscal, inovação tecnológica e fortalecimento do setor produtivo.
Coletiva abordou eleições de 2026, jornada 6×1 e segurança pública
Após a reunião-almoço, Caiado concedeu entrevista à imprensa e respondeu a perguntas sobre o cenário político nacional e temas em debate no Congresso.
Ao comentar sua relação com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, o pré-candidato defendeu a manutenção do diálogo entre os diferentes grupos da centro-direita. Segundo ele, “as nossas discordâncias não podem provocar uma ruptura nas forças da centro-direita do Brasil”, sob pena de enfraquecer uma alternativa ao atual governo nas eleições de 2026.
Na mesma resposta, ressaltou a importância do eleitorado ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro para a construção de uma candidatura competitiva. “Nós não podemos imaginar que ganharemos uma eleição sem também termos o apoio das pessoas que são simpáticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro”, afirmou.
Questionado sobre a discussão envolvendo o fim da escala 6×1, Caiado afirmou que as relações de trabalho passam por transformações e defendeu modelos mais flexíveis de contratação. Segundo ele, as novas gerações buscam maior autonomia na gestão do tempo e não necessariamente desejam permanecer vinculadas aos formatos tradicionais de trabalho.
Outro tema abordado pelos jornalistas foi a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas por autoridades dos Estados Unidos. Caiado voltou a criticar o governo federal e afirmou que o Brasil deixou de agir de forma mais firme contra essas facções. “Quem não faz a tarefa de casa, outros passam a fazer”, declarou.
Já sobre o Caso Master, o pré-candidato evitou comentar o mérito da investigação, mas argumentou que o governo federal possui instrumentos de fiscalização suficientes para identificar e combater irregularidades. Segundo ele, órgãos como o Coaf, a Receita Federal e o Banco Central dispõem das ferramentas necessárias para atuar diante de suspeitas de corrupção ou fraudes financeiras.
