Operação Sophia cumpre mandados em cinco estados após investigação apontar desvio de doações feitas por meio de campanhas fraudulentas nas redes sociais
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (14), a Operação Sophia para desarticular uma organização criminosa suspeita de criar falsas campanhas de arrecadação na internet utilizando a imagem de crianças em tratamento de doenças graves. A ação cumpre 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em cinco estados. Até o momento, 12 pessoas foram presas.
A investigação começou após a mãe de uma menina do Vale do Sinos, que faz tratamento contra o câncer, denunciar que fotos e vídeos da filha estavam sendo usados sem autorização em anúncios patrocinados nas redes sociais para arrecadar dinheiro. Apesar da mobilização, a família nunca recebeu qualquer valor das supostas doações.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos utilizavam imagens, vídeos e relatos reais de crianças e outras pessoas em situação de vulnerabilidade para criar campanhas falsas divulgadas em páginas como “Clube de Doadores”, “Doadores com Amor” e “Unidos pelo Amor”. As publicações eram impulsionadas no Facebook e no Instagram e levavam os usuários a sites que imitavam plataformas legítimas de arrecadação, principalmente a Vakinha.
Após escolher o valor da contribuição, o doador era direcionado a um QR Code Pix ou código de pagamento, mas os recursos eram transferidos para contas controladas pela organização criminosa.
As investigações apontam que o grupo mantinha uma estrutura sofisticada para dificultar o rastreamento do dinheiro, utilizando empresas de fachada, intermediadoras de pagamento, contas de terceiros e domínios registrados em servidores no exterior.
A Polícia Civil também identificou o uso de ferramentas de inteligência artificial, clonagem de voz, tecnologia de deepfake, sincronização labial e remoção de metadados para tornar as campanhas ainda mais convincentes.
Somente na campanha que originou o inquérito, os investigadores rastrearam cerca de R$ 294,5 mil arrecadados por meio de transferências via Pix e plataformas de pagamento. Durante as apurações, foi identificada ainda uma empresa utilizada como núcleo financeiro da organização, responsável por movimentar mais de R$ 1,7 milhão no período investigado.
Batizada de Operação Sophia em referência à menina que teve a imagem explorada pelos criminosos, a ofensiva busca apreender celulares, computadores, documentos e dispositivos de armazenamento que possam reforçar as investigações pelos crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil orienta que, antes de realizar doações pela internet, as pessoas confirmem a autenticidade da campanha diretamente com a família ou instituição responsável e verifiquem se a chave Pix pertence, de fato, ao beneficiário informado.