Perícia descartou ação criminosa, mas não conseguiu determinar a causa exata das chamas
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o incêndio que atingiu a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, em Flores da Cunha, sem indiciar qualquer pessoa pelo caso. A conclusão da investigação foi apresentada nesta quarta-feira (2), durante uma coletiva de imprensa conduzida pela delegada Carla Zanetti e pelo coordenador regional do Instituto-Geral de Perícias (IGP) de Caxias do Sul, Airton Kraemer. O anúncio ocorre 38 dias após o incêndio.
O resultado reúne o trabalho desenvolvido pela Polícia Civil e pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) desde o dia seguinte ao incêndio. Embora a perícia tenha descartado a hipótese de ação criminosa, não foi possível determinar com precisão a causa das chamas. A principal hipótese é a de uma falha elétrica na região onde o fogo começou, mas sem elementos suficientes para apontar a origem exata do problema.
Sem provas que permitissem atribuir responsabilidade criminal a uma pessoa específica, o inquérito foi encerrado sem indiciamentos. O procedimento agora deve ser encaminhado ao Ministério Público (MP) e ao Poder Judiciário, que podem decidir pelo arquivamento do caso ou pela realização de novas diligências.
O que apontou a Polícia Civil
A apuração começou no dia seguinte ao incêndio, registrado em 25 de maio, e reuniu depoimentos de funcionários da empresa responsável pela substituição do telhado, integrantes da paróquia e as informações técnicas produzidas pelo IGP. Conforme a Polícia Civil, as primeiras informações já indicavam que o fogo havia começado na parte superior da igreja, onde eram realizados os trabalhos de reforma. Por isso, a ocorrência foi registrada inicialmente como incêndio culposo (não intencional).
A Polícia Civil também analisou os equipamentos utilizados durante a obra e não encontrou nenhum aparelho que pudesse ser apontado como responsável pelo início das chamas. Conforme a delegada Carla Zanetti, os trabalhadores utilizavam apenas parafusadeiras elétricas na cobertura, enquanto o corte das telhas era realizado no solo, fora da igreja. Segundo os investigadores, restavam apenas seis telhas de zinco para serem instaladas e aquele seria o último dia de trabalho da empresa.
Ao anunciar a conclusão do inquérito, a delegada afirmou que “não tendo configurada a culpa de alguém específico, a gente está concluindo o inquérito sem indiciamento”. Segundo ela, cabe agora ao Ministério Público (MP) e ao Poder Judiciário avaliar os próximos encaminhamentos do caso, que podem decidir pelo arquivamento do caso ou pela realização de novas diligências.
Durante a coletiva, a delegada também informou que o laudo pericial já foi encaminhado à seguradora da igreja, que aguardava o documento para dar andamento ao processo de indenização.
O que concluiu a perícia
O laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou que o foco do incêndio teve início na cobertura, nas proximidades do altar. Conforme o coordenador regional do IGP, Airton Kraemer, “a gente conseguiu excluir de forma peremptória a questão do incêndio criminoso”, com base na análise dos vestígios encontrados no local e nos elementos reunidos durante a investigação.
Apesar disso, a perícia não conseguiu determinar a causa exata do incêndio. Segundo Kraemer, esse tipo de ocorrência é especialmente complexo porque o próprio fogo destrói parte dos vestígios que poderiam indicar sua origem. “Das causas possíveis, a mais provável é a questão do curto-circuito na região superior”, afirmou.
Ainda assim, não foi possível identificar se o eventual problema ocorreu na instalação elétrica da igreja ou em uma rede provisória utilizada durante a execução da obra.