Pai de santo e esposa são acusados pelo MPRS de três homicídios; Justiça decidiu que os dois serão julgados pelo Tribunal do Júri
Um pai de santo e a esposa dele foram pronunciados pela Justiça e deverão ser julgados pelo Tribunal do Júri pelas mortes de uma jovem de 18 anos, do filho dela, de dois meses, e de um adolescente de 16 anos. A decisão foi tomada na quarta-feira (2), em processo que tramita na Justiça do Rio Grande do Sul.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o casal é acusado de envolvimento nos três homicídios, além de outros crimes. Os fatos ocorreram em julho de 2025, em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Segundo a investigação apresentada pelo Ministério Público, o pai de santo seria o pai biológico do bebê. A paternidade foi confirmada por exame de DNA. Conforme a acusação, o casal teria cometido os crimes com o objetivo de esconder a relação extraconjugal e evitar que a situação afetasse a posição dos dois dentro da comunidade religiosa.
O adolescente, que era amigo da jovem, também teria sido morto porque, segundo a denúncia, os acusados acreditavam que ele tinha conhecimento sobre a relação entre o religioso e a vítima e poderia revelar informações sobre o caso.
Ainda conforme o MPRS, as vítimas teriam sido levadas para uma área isolada sob a justificativa de participação em uma cerimônia religiosa. Após os crimes, os corpos foram ocultados em uma região de mata próxima ao Rio dos Sinos.
O homem também responde à acusação de violação sexual mediante fraude. Segundo o Ministério Público, ele teria utilizado sua posição religiosa para induzir a jovem a acreditar que os encontros sexuais faziam parte de práticas religiosas.
Crimes atribuídos ao casal
O casal responde por feminicídio com cinco circunstâncias qualificadoras ou majoradoras, dois homicídios com quatro qualificadoras cada, ocultação de cadáver, corrupção de menores e outros crimes relacionados aos fatos. O homem também é acusado de violação sexual mediante fraude.
Os dois permanecem presos preventivamente. A decisão de pronúncia significa que a Justiça entendeu haver elementos suficientes para que as acusações sejam submetidas ao Tribunal do Júri, mas não representa uma condenação.
A data do julgamento ainda não foi definida.