Dezenas de empresas do Brasil e dos EUA apontam efeitos negativos
O governo brasileiro acompanha, nesta semana, duas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que analisam temas ligados às relações comerciais entre os dois países.
Uma das discussões trata da proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A investigação avalia questões como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos (Pix), tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Paralelamente, outra audiência reúne representantes de cerca de 60 países para discutir ações de combate ao trabalho análogo à escravidão e à comercialização de produtos obtidos por meio de trabalho forçado. As sessões devem seguir até quinta-feira (9).
As audiências fazem parte de consultas públicas previstas na legislação comercial norte-americana, que permite investigar práticas consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos antes da adoção de eventuais medidas.
Diversas entidades brasileiras participam das discussões, entre elas a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Embraer. Também estão inscritos representantes de empresas e parlamentares.
Entre os setores mobilizados está o de rochas naturais. A Centrorochas defende que uma eventual sobretaxa prejudicaria não apenas os exportadores brasileiros, mas também empresas norte-americanas que utilizam esse material em seus processos produtivos.
O governo brasileiro já apresentou contestação formal às conclusões preliminares da investigação. Em documento enviado ao USTR, o Itamaraty argumenta que as políticas comerciais adotadas pelo Brasil não causam prejuízos ao comércio dos Estados Unidos e sustenta que não há fundamento legal para a adoção de medidas unilaterais contra os produtos brasileiros.