Debate na tradicional RA abordou governança, preservação de patrimônio e continuidade dos negócios familiares
A sucessão nas empresas familiares precisa deixar de ser tratada como um momento isolado e passar a ser conduzida como um processo estruturado, capaz de preservar relações, patrimônio e a continuidade dos negócios. A avaliação foi compartilhada pela advogada e governance officer Luiza Fante e pelo empresário Felipe Macedo durante a RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, realizada nesta segunda-feira (18).
O encontro também marcou a homenagem aos 100 anos da Livraria Rossi e reuniu empresários, lideranças e representantes do setor produtivo para discutir o tema “Governança, sucessão e legado: como preparar a empresa familiar para o futuro”.
Durante o painel, os especialistas destacaram que a sucessão ainda é tratada com resistência dentro das famílias empresárias, principalmente por envolver temas delicados, como a ausência de lideranças que construíram os negócios ao longo das décadas.
Segundo Luiza, a sucessão costuma ser uma pauta “indigesta” justamente porque envolve a ideia de perda e a necessidade de enfrentar mudanças estruturais dentro da família e da empresa. Ela observou que, na Serra gaúcha, existem diversos exemplos de empreendedores cuja imagem permanece fortemente associada às marcas que criaram, o que torna o processo ainda mais sensível. “Acho que naturalmente ninguém gosta de falar sobre falta. E, às vezes, não só a falta pela morte, mas a falta de uma pessoa que personificou o negócio”, diz.
A especialista ressaltou que não existe um momento ideal para iniciar a discussão sobre sucessão, mas defendeu que quanto antes o tema for tratado, menores tendem a ser os impactos futuros. Para ela, pensar empresa e família de forma separada não é solução, já que ambas estão diretamente conectadas.
Felipe Macedo chamou atenção para a importância do planejamento patrimonial em vida, evitando conflitos familiares e custos maiores em situações de falecimento. Segundo ele, muitas famílias acabam concentradas na operação do negócio e deixam em segundo plano a preservação do patrimônio e do legado construído ao longo do tempo. “A partir do momento que não conversa [sobre] isso, em algum momento vai ter que fazer isso e faz da pior forma, que é, no último caso, um caso de falecimento”, afirma.
Outro ponto debatido foi a centralização de poder nas empresas familiares. Para Luiza, é comum que fundadores tenham dificuldade em delegar responsabilidades, seja por apego emocional ao negócio ou receio de perda de desempenho. No entanto, ela alertou que as organizações precisam ser preparadas para continuar independentemente das pessoas que estejam na gestão.
Ao final do encontro, os palestrantes defenderam o diálogo como ferramenta fundamental para enfrentar os desafios da sucessão e fortalecer a longevidade das empresas familiares.