Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 8 milhões e o sequestro de dois veículos
A Polícia Civil prendeu seis pessoas na manhã desta quinta-feira (25) durante uma nova ofensiva contra uma organização criminosa investigada por extorsões, sequestros, torturas, cobranças violentas e lavagem de dinheiro em Caxias do Sul e região. A ação integra a quarta e última fase da Operação Omertà, investigação conduzida há cerca de oito meses.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 8 milhões em ativos financeiros e o sequestro de dois veículos ligados aos investigados. Segundo a Polícia, as medidas buscam interromper o fluxo de recursos da organização, preservar valores para eventual ressarcimento das vítimas e garantir o cumprimento de futuras decisões judiciais.
Com os mandados cumpridos nesta etapa, a operação soma 23 investigados presos. Nas três fases anteriores, outras 17 pessoas já haviam sido detidas. Um suspeito continua foragido.
A investigação é conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP) de Caxias do Sul, com apoio operacional da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). As medidas desta fase foram autorizadas pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro após cerca de oito meses de apuração.
De acordo com a investigação, a organização criminosa atuava principalmente na cobrança de dívidas por meio de violência e intimidação. Empresários e pessoas físicas eram alvo de ameaças, exigências de pagamentos ilegais e ações para forçar o repasse de dinheiro.
As apurações apontam que, em alguns casos, os criminosos efetuaram disparos de arma de fogo contra estabelecimentos comerciais, monitoraram a rotina das vítimas e fizeram ameaças a familiares para pressionar pelo pagamento dos valores exigidos.
A Polícia Civil também identificou um esquema de lavagem de dinheiro utilizado para ocultar os recursos obtidos com as extorsões. Conforme a investigação, os valores eram movimentados por meio de contas bancárias de terceiros para dificultar o rastreamento financeiro e dar aparência de legalidade ao dinheiro.
Ainda segundo a polícia, o grupo possuía uma estrutura organizada, com divisão de funções entre os integrantes. Havia responsáveis pela coordenação das cobranças, arrecadação dos valores, execução das ameaças e movimentação financeira. Parte dos investigados continuava atuando mesmo de dentro do sistema prisional.
Ao longo da apuração, a Polícia Civil afirma ter esclarecido diversos episódios de extorsão, sequestro, tortura, ameaças armadas e lavagem de dinheiro atribuídos ao grupo criminoso.
O nome da Operação Omertà faz referência ao termo italiano que significa “código de silêncio”, tradicionalmente associado às organizações mafiosas. A denominação simboliza o ambiente de intimidação imposto às vítimas e testemunhas e a tentativa dos criminosos de impedir a colaboração com as investigações.