Primeira grande celebração pública após o incêndio na Igreja Matriz reuniu cerca de 10 mil pessoas no centro de Flores da Cunha
Cerca de 10 mil pessoas participaram da celebração de Corpus Christi na manhã desta quinta-feira (4), em Flores da Cunha. Realizada no Largo da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes e nas ruas do entorno da Praça da Bandeira, a missa marcou a primeira grande celebração pública da comunidade católica desde o incêndio que atingiu o templo em 25 de maio.
Presidida pelo pároco frei Jadir Segala, a celebração teve como tema central a Eucaristia como sinal de comunhão e unidade entre os cristãos. Durante a homilia, o religioso relacionou a liturgia de Corpus Christi ao momento vivido pela comunidade florense após o incêndio, destacando que os acontecimentos dos últimos dias evidenciaram a força da união entre os moradores.
Ao refletir sobre a passagem do povo de Israel pelo deserto, frei Jadir afirmou que as dificuldades também servem para fortalecer a fé e a caminhada em comunidade. Segundo ele, os acontecimentos recentes colocaram à prova os moradores de Flores da Cunha, servindo para mostrar “onde está o nosso coração e a nossa unidade”, em referência à mobilização observada após o incêndio na Matriz.
O pároco também destacou a resposta da população nos dias que sucederam o incidente. Para ele, a comunidade demonstrou capacidade de superar a dor e olhar para o futuro, pois “a vida é maior que a dor” e “a esperança é maior que o sofrimento”. Na mesma reflexão, afirmou que este é o momento de “juntar os cacos quebrados” e permanecer unido no processo de reconstrução.
Em um dos momentos mais marcantes da celebração, frei Jadir ressaltou que a reconstrução da Matriz vai além da recuperação da estrutura física do templo. Segundo ele, embora o incêndio tenha destruído parte do patrimônio da comunidade, “o material virou cinza”, enquanto a “Igreja viva” permanece “forte, aberta e corajosa”, sustentada pela fé e pela mobilização dos fiéis.
Outro ponto enfatizado durante a homilia foi o lema pastoral adotado neste ano pela paróquia: ser missionária da acolhida, da compaixão e da solidariedade. Conforme o pároco, os gestos recebidos pela comunidade após o incêndio demonstram esses valores na prática, seja por meio de mensagens de apoio, doações ou ações concretas em favor da reconstrução.
Como exemplo, frei Jadir lembrou a visita de representantes de uma paróquia de Canoas que havia recebido auxílio de Flores da Cunha durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Dias após o incêndio na Matriz, a comunidade retornou para entregar uma coleta destinada à reconstrução do templo, em um gesto citado pelo religioso como símbolo da solidariedade construída entre as duas comunidades.
Após a missa, os fiéis acompanharam a tradicional procissão de Corpus Christi pelas ruas centrais da cidade, seguindo o trajeto preparado para a passagem do Santíssimo Sacramento.
Preparação dos tapetes mobiliza cerca de 1,2 mil voluntários
A preparação para Corpus Christi começou ainda na quarta-feira (3), quando cerca de 1,2 mil voluntários participaram da confecção dos tradicionais tapetes que ornamentam as ruas centrais de Flores da Cunha.
A tradição teve início em meados da década de 1960 e, ao longo dos anos, consolidou-se como uma das mais conhecidas celebrações de Corpus Christi do Brasil. Anualmente, escolas, entidades, comunidades, movimentos religiosos e famílias se unem para produzir os quadros de serragem colorida que servem de caminho para a procissão.
Neste ano, os tapetes retrataram passagens religiosas, símbolos da fé católica e elementos ligados à história e à identidade do município. Os quadros permanecem expostos até domingo (7) nas ruas do entorno da Praça da Bandeira.