Empresas precisam agir com planejamento e rapidez para não perder competitividade, afirmou Gabriel Martins na RA desta segunda-feira (2)
A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, concretizada no último mês de janeiro, já impõe um novo cenário para a indústria brasileira. A avaliação foi feita pelo especialista em comércio exterior e tributação internacional Gabriel Martins durante a reunião-almoço (RA) da CIC Caxias, realizada nesta segunda-feira (2).
Com mais de 17 anos de atuação em tributos indiretos, legislação aduaneira e tributação internacional, Martins afirmou que o acordo pode representar tanto ganhos quanto perdas, dependendo da postura adotada pelas empresas. “É um acordo que pode trazer muitas vantagens. Mas, se perdermos o timing, ele pode ser muito prejudicial”, disse.
Segundo ele, há setores que devem enfrentar mudanças profundas e dificuldades na adaptação, enquanto outros podem se reposicionar e crescer com mais rapidez. O ponto central, conforme Martins, é entender as regras, avaliar impactos e executar estratégias de forma consistente ao longo do período de transição.
Um dos aspectos abordados foi o cronograma de redução tarifária. A União Europeia terá dez anos para zerar as alíquotas sobre produtos do Mercosul. No Brasil, em alguns segmentos, o prazo para que as tarifas de importação de produtos europeus cheguem a zero pode chegar a 15 anos. “É um tempo importante de adaptação, mas passa rápido. É preciso planejamento anual e execução efetiva”, afirmou.
Martins também observou que o Brasil tende a ter vantagens dentro do bloco sul-americano por possuir indústria mais robusta e mercado consumidor maior que os demais parceiros. Ainda assim, reforçou que competitividade não depende apenas do setor privado.
Ao falar dos impactos regionais, citou o setor vitivinícola da Serra gaúcha, que já convive com forte concorrência externa. Com a futura redução das tarifas para vinhos europeus, as vinícolas precisam rever posicionamento e estratégia, seja na diferenciação por qualidade, seja na definição de público-alvo.
Por fim, o especialista destacou o papel do governo na criação de um ambiente mais competitivo. Para ele, é fundamental reduzir a carga tributária, simplificar processos e diminuir a burocracia. “Precisamos tornar o ambiente de negócios mais eficiente para que, daqui a 10 ou 15 anos, estejamos preparados para competir em igualdade com os europeus”, concluiu.