Colegiado também aprovou outros 86 requerimentos e reunião terminou em tumulto
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O pedido foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Segundo ele, a medida é necessária para aprofundar a apuração sobre o esquema de descontos associativos não autorizados aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
O nome de Lulinha aparece em decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União a deflagrarem, em dezembro de 2025, nova fase da Operação Sem Desconto. A investigação apura um esquema nacional que teria lesado milhões de beneficiários do INSS.
De acordo com a PF, mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como operador do esquema, mencionam o repasse de ao menos R$ 300 mil para “o filho do rapaz”, expressão que, segundo os investigadores, seria uma referência a Lulinha.
Em nota divulgada na quarta-feira (25), a defesa do empresário afirmou que ele não tem qualquer relação com as fraudes e não recebeu valores ilícitos. O advogado Guilherme Suguimori Santos informou que solicitou acesso aos autos da investigação no STF e que o cliente está à disposição para prestar esclarecimentos.
Outras quebras e convocações
Durante a 32ª reunião, deputados e senadores aprovaram, em bloco, outros 86 requerimentos. Entre eles, a quebra de sigilos bancário e fiscal do Banco Master e a convocação de ex-executivos ligados à instituição.
Também foi aprovada a convocação do ex-deputado federal André Moura, apontado por parlamentares como possível articulador do esquema no estado de Sergipe. Outros nomes convocados incluem a empresária Danielle Miranda Fontelles e Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Os 87 requerimentos foram votados sem discussão individual. Após a proclamação do resultado, houve tumulto no plenário, com empurra-empurra e troca de socos entre parlamentares, o que levou à interrupção da sessão.