Júri começa nesta quinta-feira (24) e também envolve investigação sobre tentativa de homicídio sofrida pela vítima em 2017
Quatro pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) serão julgadas pelo assassinato da cabeleireira Návia Regina Christan, de 46 anos, ocorrido em novembro de 2018, em Tramandaí. O Tribunal do Júri está marcado para começar às 9h desta quinta-feira (24) e deve prosseguir até sexta-feira (25).
Segundo o MPRS, os réus são acusados de participar do planejamento e da intermediação da contratação dos responsáveis pela execução do homicídio. Návia foi morta a tiros dentro do próprio salão de beleza, após um homem entrar no estabelecimento se passando por cliente.
Os quatro respondem por homicídio qualificado. Conforme a participação atribuída a cada acusado, a acusação sustenta qualificadoras relacionadas a motivo fútil, promessa de recompensa e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
O caso também está relacionado a uma tentativa de homicídio sofrida por Návia pouco mais de um ano antes de sua morte.
Tentativa de homicídio
Em 26 de outubro de 2017, a cabeleireira foi baleada dentro de casa. Ela sobreviveu ao ataque, mas ficou com sequelas permanentes, incluindo a perda da visão de um dos olhos.
De acordo com o MPRS, a investigação identificou pessoas envolvidas no planejamento e na execução da tentativa de homicídio. Três dos acusados que serão julgados pelo assassinato também foram condenados pelo Tribunal do Júri pela participação no primeiro crime.
Assassinato
Em 5 de novembro de 2018, Návia foi novamente alvo de um ataque, desta vez dentro de seu salão de beleza. Conforme a denúncia, quatro pessoas participaram do planejamento e da intermediação para a contratação dos executores.
Dois homens apontados como responsáveis pela execução do assassinato já foram julgados e condenados.
Segundo a acusação, os crimes teriam origem em conflitos familiares e financeiros, relacionados à suspeita de que a vítima estaria causando prejuízos a um familiar.
Julgamento
O júri estava inicialmente previsto para julho, mas foi remarcado para os dias 24 e 25 de setembro após as defesas de dois acusados solicitarem o desmembramento do processo. O pedido foi apresentado sob a alegação de que um dos advogados não poderia atuar por motivos de saúde.
A Justiça negou o pedido e manteve o julgamento conjunto, considerando que as condutas atribuídas aos réus estão relacionadas.
A acusação será conduzida pelos promotores de Justiça André Tarouco e Aline Baldissera, designada pelo Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ) do MPRS.