Luciano Balen apresentou dados sobre comportamento das novas gerações e defendeu mais oportunidades de cultura, lazer, convivência e trabalho
O futuro de Caxias do Sul passa pela capacidade da cidade de ouvir, atrair e manter os jovens. Essa foi uma das principais mensagens apresentadas pelo gerente da Fundação Marcopolo, Luciano Balen, durante a reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), nesta segunda-feira (17).
Ao falar sobre os desafios para as próximas gerações, Balen apresentou dados da pesquisa “O Futuro que Queremos”, realizada em 2025 com 1.044 jovens entre 15 e 29 anos. Um dos resultados que chamou atenção foi o fato de que 67% afirmaram que deixariam Caxias do Sul se tivessem oportunidade.
O dado, segundo Balen, precisa ser analisado em conjunto com outras respostas do levantamento. 81% dos jovens acreditam que terão uma vida próspera no futuro e mais de 80% afirmam gostar de Caxias do Sul.
Para o gerente da Fundação Marcopolo, o desafio está em entender por que, mesmo gostando da cidade e enxergando possibilidades de prosperidade, tantos jovens consideram deixá-la.
“É preciso ouvir os jovens”
Ao discutir caminhos para reverter esse cenário, Balen apontou como primeiro passo a necessidade de ouvir o que os jovens querem.
Segundo ele, os entrevistados demonstram interesse por uma cidade mais viva, com festivais, música, cinema, teatro, esportes e oficinas. A ideia defendida na palestra é que Caxias ofereça mais espaços de encontro, convivência e desenvolvimento para essa parcela da população.
Balen também relacionou a criação de oportunidades à prevenção de problemas sociais. Para ele, se a cidade não oferecer alternativas positivas, outros caminhos acabam ocupando esse espaço.
Menos interesse pela indústria
Outro ponto apresentado foi a mudança na relação dos jovens com a indústria. De acordo com a pesquisa, 30% dizem ter interesse em trabalhar no setor, um percentual considerado baixo diante da tradição industrial de Caxias do Sul.
Balen classificou a mudança como significativa e afirmou que existe um desafio para mostrar às novas gerações que a indústria pode oferecer desenvolvimento profissional, remuneração e oportunidades de carreira.
Redes sociais e falta de convivência
A palestra também abordou as transformações no comportamento dos jovens. Balen citou o uso intenso de celulares e redes sociais e a tendência de uma parcela dessa geração permanecer mais tempo em casa.
Na avaliação apresentada, a redução dos encontros presenciais interfere na formação dos jovens e na relação deles com outras pessoas. Por isso, ele defendeu que sejam criadas oportunidades para a convivência entre os próprios jovens e também entre diferentes gerações.
Para Balen, essa convivência é parte importante do processo de formação. Ele ressaltou que educação não ocorre apenas dentro da escola, mas também nas relações com familiares, amigos e pessoas de diferentes gerações.
Responsabilidade é compartilhada
Ao falar sobre o papel das empresas e instituições nesse processo, Balen afirmou que a retenção de talentos depende da construção de uma cidade mais criativa, com oportunidades e qualidade de vida.
A Fundação Marcopolo, segundo ele, tem participação nesse debate, mas a responsabilidade não é exclusiva da entidade. Empresas, instituições, poder público, comunidade e imprensa também podem contribuir para transformar as discussões em iniciativas capazes de aproximar os jovens da cidade.
A palestra colocou em discussão, portanto, um desafio que vai além da escolha profissional: como fazer com que os jovens enxerguem Caxias do Sul não apenas como um lugar onde podem trabalhar, mas como uma cidade onde também querem viver, conviver e construir o futuro.