Templo histórico foi consumido pelas chamas na segunda-feira; prédio está interditado devido ao risco estrutural
Um dia após o incêndio que destruiu a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, em Flores da Cunha, o pároco da comunidade, frei Jadir Segala, falou sobre a dimensão da tragédia e o sentimento vivido pelos fiéis diante da perda de um dos principais símbolos religiosos e históricos do município.
“Não temos mais nada. Questão de minutos, um fogo toma conta da nossa igreja, derruba a nossa história”, afirmou o frei durante entrevista concedida à Rádio Solaris FM 99.1 na manhã desta terça-feira (26).
O incêndio foi percebido por volta das 12h30min desta segunda-feira (25) e mobilizou uma grande operação de combate às chamas. Atuaram no local equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Flores da Cunha, com apoio de bombeiros de Caxias do Sul, além da brigada de incêndio da Móveis Florense. Ao todo, mais de dez bombeiros trabalharam na ocorrência.
O combate ao fogo e o trabalho de rescaldo seguiram durante toda a tarde e só foram encerrados depois das 19h. Com a intensidade das chamas, apenas a estrutura externa da igreja permaneceu de pé. O telhado foi destruído e toda a parte interna acabou consumida pelo fogo, incluindo bancos, a mesa do altar e outras estruturas litúrgicas.
Segundo frei Jadir, a destruição dentro do templo foi praticamente total. “Dentro da igreja não sobrou nada. Perdemos tudo”, lamentou. Apesar disso, algumas imagens sacras resistiram ao incêndio. O altar principal de alvenaria permaneceu no local, assim como as imagens da padroeira Nossa Senhora de Lourdes, bem como de São José e São Pedro.
Durante a operação, os bombeiros também conseguiram retirar do sacrário as hóstias consagradas e salvar a imagem do Cristo morto, encontrada intacta em meio aos escombros. Um quadro de Frei Salvador também foi preservado.
Após o incêndio, o prédio foi interditado devido aos danos causados pela alta temperatura.
A igreja passava por uma obra de substituição do telhado, considerada necessária devido aos problemas estruturais e infiltrações registrados há mais de uma década. Conforme o pároco, a comunidade havia iniciado um projeto de restauração completa do templo. “Nós estávamos tão felizes porque conseguimos doadores para fazer essa obra. Tínhamos o sonho de restaurar ela toda”, recordou.
Ainda abalado, frei Jadir afirmou que a comunidade agora tenta reunir forças para começar a reconstrução. Segundo ele, o prejuízo pode ultrapassar R$ 4 milhões, enquanto o seguro cobre apenas parte dos danos.
Apesar da tragédia, o pároco destacou a corrente de solidariedade formada nas últimas horas, com apoio vindo de diferentes cidades e até profissionais oferecendo trabalho voluntário para ajudar na recuperação da igreja. “Fica a nossa fé. A fé ninguém tira de nós. E a esperança de podermos recuperar”, declarou.
Sobre a Igreja Matriz de Flores da Cunha
Construída em estilo gótico, a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes começou a ser erguida em 1904, poucos anos após a chegada dos primeiros imigrantes italianos à então colônia de Nova Trento, atual Flores da Cunha. A obra foi concluída em 1914 e, desde então, o templo se consolidou como um dos principais símbolos religiosos, históricos e culturais do município.
Além da importância arquitetônica, a igreja acompanhou o desenvolvimento da cidade ao longo de mais de um século, sendo palco de celebrações religiosas, casamentos, batizados, funerais e das principais manifestações de fé da comunidade florense. Entre 1946 e 1949, também foi construído o campanário de pedra ao lado da matriz, outro marco histórico da cidade.