Denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os três foram condenados pelo Tribunal do Júri
Três homens denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foram condenados pelo Tribunal do Júri realizado na última segunda-feira (10), em Vacaria e encerrado na madrugada de terça-feira (11). O homem apontado como mandante do crime recebeu pena de 22 anos de reclusão, enquanto os dois executores foram condenados a 12 anos de prisão cada um. O MPRS recorrerá das penas aplicadas.
Conforme a denúncia do MPRS, os condenados integram um grupo criminoso e planejaram executar um rival em razão de disputas relacionadas ao tráfico de drogas e ao controle de pontos de venda de entorpecentes em Vacaria. No entanto, por engano, os executores entraram na residência vizinha ao imóvel onde acreditavam estar o alvo e efetuaram ao menos 27 disparos de arma de fogo.
Os tiros atingiram um adolescente de 15 anos, alvejado por 12 disparos, e um homem de 26 anos, ferido por dois disparos. Apesar da gravidade dos ferimentos, ambos sobreviveram. Segundo a investigação, nenhuma das vítimas possuía relação com a desavença que motivou o ataque.
O julgamento foi realizado sob forte esquema de segurança, com bloqueio das ruas de acesso ao Fórum de Vacaria e reforço da segurança do local. Atuaram em plenário os promotores de Justiça de Vacaria, Lais Saboia Souto e de Portão, Rafael Graboski dos Santos.
A promotora Lais destacou o impacto da violência ligada ao tráfico sobre as populações mais vulneráveis: “As pessoas humildes são as maiores vítimas da violência decorrente do tráfico porque não têm recursos para se defender, para morar em outra localidade, se proteger com muros, grades e câmeras. Nesse caso, uma disputa de facções criminosas matou o sonho de um guri de jogar futebol e a chance de conquistar uma vida melhor para sua família. Embora tenha sobrevivido o adolescente ficou com diversas sequelas permanentes decorrentes dos disparos”, afirmou.
O promotor Rafael Graboski dos Santos ressaltou em sua fala que “O Ministério Público sai satisfeito com a resposta dada pelo povo de Vacaria, com o acolhimento dos pedidos ministeriais em todos os quesitos. De fato, trata-se de uma brutalidade, em que um jovem, vítima de 12 disparos de arma de alto potencial, teve ceifados seus sonhos, pois carrega traumas e sequelas permanentes. O Ministério Público recorrerá da pena fixada, pois entende que não corresponde à gravidade dos crimes cometidos”.
Ao final do julgamento, um quarto homem denunciado foi absolvido, conforme pedido formulado pelo próprio MPRS.