Grupo atuava na colheita de alho e produção de tomates; vítimas estavam sem salário, sem registro e em alojamentos precários
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Inspeção do Trabalho, resgatou 11 trabalhadores em condições análogas à escravidão no distrito de Lajeado Grande, no interior de São Francisco de Paula. A ação ocorreu no dia 11 de março.
A operação foi coordenada por auditores-fiscais do Trabalho e contou com o acompanhamento do Ministério Público do Trabalho (MPT), além do apoio da Brigada Militar, da Polícia Federal (PF) e da Secretaria de Assistência Social do município.
De acordo com a fiscalização, os trabalhadores atuavam na colheita de alho e na produção de tomates. O grupo tinha idades entre 17 e 53 anos, incluindo duas mulheres indígenas e um adolescente de 17 anos.
A maioria iniciou as atividades em outubro de 2025, após promessa de registro em carteira, pagamento de diárias de R$ 125, além de alimentação e moradia. No entanto, segundo os auditores, os trabalhadores não passaram por exame admissional e nunca tiveram o vínculo formalizado.
A equipe também constatou que os trabalhadores estavam há mais de 30 dias sem receber salários. Além disso, houve alteração na forma de pagamento, que passou de diária para produção, resultando em rendimentos inferiores ao piso regional da categoria no Rio Grande do Sul.
Foram identificadas ainda diversas irregularidades relacionadas à saúde e à segurança no trabalho. O empregador não fornecia Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) nem oferecia treinamento para o manuseio de agrotóxicos utilizados na lavoura.
As condições de alojamento foram consideradas degradantes. Os trabalhadores estavam instalados em casas com estrutura precária, com buracos nas paredes e no assoalho, instalações sanitárias em péssimo estado de conservação e ausência de armários e roupas de cama.
Diante da situação, o alojamento foi interditado até que sejam realizadas as adequações exigidas pela Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31), que trata das condições de segurança e saúde no trabalho rural.
Após o resgate, os trabalhadores receberam assistência para retorno às cidades de origem, localizadas no interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com apoio da assistência social do município.