Família de dentista catarinense aponta falhas graves no pós-operatório e levanta suspeitas sobre conduta médica após cirurgia de alto custo
A morte de um dentista catarinense após um procedimento estético realizado em uma clínica de Caxias do Sul passou a ser alvo de questionamento judicial por parte da família da vítima. O caso envolve o profissional Francisco José Fialho Lemos, de 58 anos, que morreu em outubro de 2025, dias após se submeter a um “deep lifting facial”, cirurgia que teria custado mais de R$ 100 mil.
De acordo com informações obtidas pelo Jornal Razão, um parecer médico-legal aponta uma sequência de falhas no acompanhamento pós-operatório. O documento, elaborado por um ex-legista do Instituto Médico Legal de Santa Catarina, indica que o paciente teria recebido alta menos de 24 horas após a cirurgia — decisão considerada inadequada para um procedimento de grande porte.
Ainda conforme o laudo, o acompanhamento teria ocorrido de forma remota, com base em imagens enviadas por aplicativo de mensagens, mesmo diante de relatos da equipe de enfermagem sobre sintomas preocupantes, como inchaço acentuado, hematomas e dificuldade respiratória.
O quadro clínico evoluiu de forma grave. Dias depois, ao buscar atendimento de emergência, o dentista já apresentava complicações severas. O inchaço na região do pescoço teria impedido a intubação, exigindo a realização de uma traqueostomia de urgência. Ele não resistiu após sofrer duas paradas cardiorrespiratórias.
Outro ponto que levanta questionamentos é o traslado do corpo. Segundo a família, a clínica teria fretado um jato para levar o corpo até Florianópolis no mesmo dia da morte, o que teria impedido a realização imediata de exames periciais no local do óbito.
A defesa da família sustenta que há elementos que podem caracterizar responsabilidade criminal. O advogado que representa os familiares afirma que a conduta do profissional responsável pode ser enquadrada como homicídio doloso, ao considerar que houve consciência dos riscos e omissão diante de sinais clínicos graves.