Encenação da Sexta-Feira Santa, inspirada na Campanha da Fraternidade 2026, abordou temas como moradia e violência contra as mulheres nos Pavilhões da Festa da Uva
A manhã desta Sexta-Feira Santa (3) foi marcada por fé, emoção e reflexão em Caxias do Sul. Cerca de 1,5 mil pessoas participaram da 22ª edição da tradicional Via-Sacra da Juventude, realizada nos Pavilhões da Festa da Uva, junto ao Monumento Jesus Terceiro Milênio.
Promovido pela Diocese de Caxias do Sul, o momento de oração relembrou o caminho percorrido por Jesus Cristo desde a condenação até a morte na cruz, por meio de uma encenação conduzida por mais de 40 jovens de grupos, movimentos e pastorais. A apresentação tocou profundamente o público, que acompanhou em silêncio e devoção cada estação.
A abertura foi conduzida pelo bispo diocesano, Dom José Gislon, que destacou o sentido da celebração. Segundo ele, a memória da morte de Cristo é também um anúncio de vida e esperança. “Nós acreditamos num Cristo que padeceu, morreu, mas não ficou morto. Ele ressuscitou. É uma alegria ver muitos pais com os pequeninos nos braços. Essa é a escola da fé”, afirmou. O bispo também recordou a importância da juventude e convidou à oração por aqueles que mais precisam, incluindo jovens afastados da fé e pessoas privadas de liberdade.
Neste ano, a encenação trouxe uma forte ligação com a Campanha da Fraternidade 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A cena inicial apresentou um homem em situação de rua, deitado em um banco e alvo de julgamentos. A chegada de Jesus, acolhendo e abraçando o personagem, marcou o tom da reflexão proposta.
Enquanto a cena se desenrolava, dados sobre a realidade habitacional no Brasil eram apresentados, evidenciando que mais de 328 mil pessoas vivem em situação de rua no país. A proposta foi provocar o público a refletir sobre a necessidade de acolhimento, solidariedade e compromisso com a dignidade humana.
Ao longo das 14 estações da Via-Sacra, outros temas sociais também foram abordados, como a violência contra as mulheres, ampliando o olhar dos fiéis sobre as dores presentes na sociedade atual. A encenação reforçou a mensagem de que a fé deve se traduzir em atitudes concretas de cuidado com o próximo.
Na cena final, após a crucificação, o corpo de Jesus foi colocado sobre o mesmo banco utilizado pelo homem em situação de rua no início da apresentação, estabelecendo um paralelo simbólico. “São tantos ‘cristos’ que padecem nos bancos das nossas praças, tantos jovens que perderam seus sonhos por falta de oportunidades, mas também há muitas pessoas dispostas a devolver dignidade a quem mais precisa”, destacou o padre Gustavo Predebon, assessor do Setor Juventude e coordenador da encenação.
Fé, juventude e dedicação
A realização da Via-Sacra envolveu semanas de preparação. Desde o início de março, os jovens voluntários se reuniram para organizar cada detalhe da apresentação, desde o roteiro até figurinos e ensaios. O trabalho coletivo reuniu integrantes de diferentes realidades da Diocese, fortalecendo a vivência comunitária e o protagonismo juvenil.
Além da encenação, o evento também ofereceu momentos de espiritualidade aos participantes. Diversos padres estiveram disponíveis para atender confissões, e os fiéis formaram filas ao longo da manhã para receber o Sacramento da Reconciliação.

