Ofensas misóginas e ameaças levaram entidades a se manifestarem em defesa da magistrada
Uma publicação feita nas redes sociais pela juíza da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Caxias do Sul, Joseline Mirele Pinson de Vargas, provocou uma série de ataques misóginos e ameaças dirigidas à magistrada, levando entidades do Judiciário e da área educacional a se manifestarem publicamente contra o episódio.
A imagem foi registrada durante uma inspeção no Presídio Regional de Guaporé e publicada no perfil profissional da juíza no Instagram. A postagem rapidamente ganhou repercussão e, cinco dias após a publicação, já acumulava cerca de 6,4 mil reações e aproximadamente 1,5 mil comentários na manhã desta terça-feira (13).
O perfil @drajoselinevargas, criado em 2022, reúne atualmente mais de 38 mil seguidores. Com o aumento do alcance, os comentários passaram a se afastar da discussão sobre a atuação institucional e passaram a atingir diretamente a magistrada, com uso de linguagem ofensiva, ataques misóginos, agressões pessoais e até incitação ao cometimento de crimes. Parte das manifestações partiu de perfis que não seguiam a conta e de contas sem identificação real.
Diante do caso, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) divulgou nota afirmando que os comentários representam desrespeito à atividade jurisdicional e configuram violência de gênero. A entidade informou que os autores das ofensas já foram identificados e que medidas legais estão sendo adotadas.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul também se manifestou. Em nota assinada pelo presidente da Corte, Alberto Delgado Neto, o tribunal afirmou ser “inadmissível que magistrados ou servidores, no cumprimento de seus deveres funcionais, sejam alvos de ataques misóginos e ofensivos”, ressaltando a necessidade de preservar a independência da magistratura.
A instituição de ensino Ceisc, onde a juíza atua como professora, também divulgou nota de repúdio. No texto, a entidade afirma que comentários que deslegitimam mulheres em espaços de poder não podem ser tratados como opinião, mas como violência.
Além das manifestações institucionais, a juíza recebeu mensagens de apoio de colegas, estudantes e profissionais do Direito, que se posicionaram contra a normalização de discursos de ódio nas redes sociais.