Operação Falso 9 investiga fraude que teria levado atleta a transferir mais de R$ 22 mil para suposta campanha de doação de cestas básicas
As Polícias Civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro prenderam, nesta quarta-feira (2), um homem suspeito de se passar pelo técnico do Grêmio, Luís Castro, para aplicar golpes em jogadores de futebol. A prisão ocorreu no bairro São Matheus, em Itaperuna, no noroeste do Rio de Janeiro.
A ação faz parte da Operação Falso 9, que investiga crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade. Conforme a investigação, o suspeito utilizava perfis falsos em aplicativos de mensagens para se passar por treinadores de futebol e abordar atletas profissionais.
O caso chegou às autoridades depois que quatro jogadores de um clube de Porto Alegre receberam mensagens de um número registrado em nome de outra pessoa, mas que utilizava a fotografia do treinador.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito buscava primeiro estabelecer uma relação de confiança com os atletas. Em um dos casos, manteve conversas durante vários dias sobre rotina, família e desempenho nos treinamentos. O criminoso também teria pedido que as conversas fossem mantidas em sigilo.
Depois de conquistar a confiança do jogador, o homem apresentou uma suposta campanha para doação de cestas básicas a um grupo social do Rio de Janeiro. O atleta aceitou participar e acabou transferindo mais de R$ 22 mil, valor que seria utilizado na compra de 300 cestas básicas.
O dinheiro foi enviado em maio para uma conta bancária controlada pela organização investigada.
Golpista tentou conseguir mais R$ 50 mil
Após a primeira transferência, o suspeito teria tentado aplicar um segundo golpe. Ele afirmou que outro jogador, que estaria fora do Brasil, pretendia doar 600 cestas básicas, no valor de R$ 50 mil, e pediu que a vítima adiantasse o pagamento.
A nova transferência, porém, não foi concluída porque o valor ultrapassava o limite bancário disponível para a operação.
Os outros três jogadores abordados durante a investigação não chegaram a realizar pagamentos.
A Polícia Civil também identificou uma estrutura utilizada para movimentar e ocultar os valores obtidos com os golpes. Segundo a investigação, o dinheiro passava inicialmente por contas bancárias de moradores de Itaperuna antes de chegar ao suspeito.
Outros jogadores também foram abordados
O trabalho de inteligência apontou ainda que o número utilizado pelo criminoso manteve contato com outros jogadores ligados a clubes brasileiros, além de um atleta de uma equipe europeia e um artista conhecido nacionalmente.
Conforme as informações levantadas pelas polícias dos dois estados, o suspeito já teve passagens por clubes de futebol e havia sido preso em flagrante em 2024 por um crime semelhante.
A investigação continua para identificar outras possíveis vítimas, dimensionar o prejuízo causado pelo esquema e esclarecer a participação de outros envolvidos.