Tempestade atingiu comunidades rurais às vésperas da colheita e ampliou prejuízos de agricultores que já haviam sido afetados por tornado em dezembro
A chuva de granizo registrada na tarde de quarta-feira (28) causou prejuízos significativos à agricultura no interior de Flores da Cunha. O fenômeno atingiu principalmente as localidades de Alfredo Chaves, Linha 40 e a Capela Nossa Senhora Medianeira, comprometendo parreirais justamente no período que antecede a colheita da uva.
Levantamento preliminar da prefeitura aponta que cerca de 25 propriedades rurais e aproximadamente 50 hectares foram afetados. A tempestade teve características atípicas, com pouca chuva e intensa queda de granizo por cerca de 20 minutos, suficiente para provocar perdas expressivas na produção.
Em entrevista na Rádio Solaris FM.1 manhã desta quinta-feira (29), o prefeito de Flores da Cunha, César Ulian, destacou que os danos se somam a eventos climáticos recentes que já vinham castigando os produtores rurais do município. “Muitas dessas propriedades já haviam sido atingidas pelo tornado de dezembro. Agora, agricultores que estavam prontos para colher viram a safra ser destruída em poucos minutos”, afirmou.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Flores da Cunha e Nova Pádua, Ricardo Pagno, o impacto econômico é profundo, especialmente para a agricultura familiar. “É o trabalho de um ano inteiro que se perde. Muitos produtores ainda tentavam se reerguer das perdas anteriores quando foram novamente atingidos”, disse.
Além dos danos diretos às lavouras, a situação é agravada pela baixa adesão ao seguro rural. A redução das subvenções do governo federal para a safra 2025/2026, encareceu as apólices, levando parte dos agricultores a diminuir a cobertura ou cancelar o seguro, o que amplia a vulnerabilidade financeira após eventos climáticos extremos.
Diante desse cenário, voltou a ganhar força a discussão sobre a implantação de um sistema regional de proteção antigranizo. O projeto, em debate há mais de três anos, prevê a utilização de tecnologias como o uso de iodeto de prata para reduzir a formação de pedras de gelo e exige adesão conjunta de vários municípios da Serra gaúcha para ser efetivo.
Ulian defende que a iniciativa seja conduzida de forma integrada, com participação do Governo do Estado. “Não é uma solução que possa ser adotada de forma isolada. Para funcionar, precisa ser regional e contar com apoio financeiro do Estado”, ressaltou.
Pagno também reforçou a necessidade de mobilização política e institucional para viabilizar o sistema. “Nenhuma tecnologia elimina totalmente o risco, mas é uma ferramenta fundamental para reduzir prejuízos e dar mais segurança ao produtor”, pontuou.