Fenômeno deve ganhar força nos próximos meses e pode aumentar risco de eventos extremos no Rio Grande do Sul
O avanço das temperaturas no Oceano Pacífico e a possibilidade da formação de um super El Niño voltaram a acender o alerta no Rio Grande do Sul. Em entrevista à Rádio Solaris FM nesta quinta-feira (21), o meteorologista Leandro Puchalski afirmou que o Estado precisa se preparar para possíveis eventos climáticos extremos nos próximos meses, embora tenha reforçado que o fenômeno não representa, automaticamente, uma nova tragédia climática.
Durante entrevista, Puchalski explicou que os primeiros sinais do fenômeno já começaram a aparecer no Oceano Pacífico. Segundo ele, pela primeira vez nesta semana, a temperatura das águas da região central do oceano ficou meio grau acima do padrão, o que representa o início da formação do El Niño. A expectativa é de que o fenômeno seja oficialmente confirmado durante o mês de junho, já que há uma grande quantidade de águas quentes em subsuperfície no Pacífico, cenário que tende a manter o aquecimento nas próximas semanas.
Conforme o meteorologista, alguns modelos indicam que o aquecimento do Pacífico pode atingir entre 2,5°C e 3°C acima da média histórica no último trimestre do ano, cenário associado a um El Niño de forte intensidade — popularmente chamado de “super El Niño”. Apesar disso, ele explicou que o termo não possui uma definição técnica específica e é utilizado apenas para destacar episódios mais intensos do fenômeno.
Ao longo da entrevista, Puchalski reforçou que a intensidade do fenômeno não significa automaticamente a repetição de tragédias climáticas como as registradas em maio de 2024 no Estado. Segundo ele, o El Niño aumenta a possibilidade de períodos de chuva acima da média, principalmente entre primavera e verão, mas outros fatores atmosféricos também influenciam diretamente os impactos e podem tanto ampliar quanto reduzir os efeitos do fenômeno no Rio Grande do Sul.
O meteorologista defendeu que municípios e governos iniciem desde já medidas preventivas e ações de preparação diante do cenário climático projetado para os próximos meses. “Precisamos nos preparar para o pior e torcer para que o melhor ocorra”, afirmou ao destacar que a informação meteorológica deve servir como ferramenta para minimizar riscos e orientar ações de prevenção.
Durante a conversa, Puchalski também relacionou o comportamento do El Niño às mudanças climáticas globais. Segundo ele, o aumento da temperatura média do planeta já altera o padrão dos oceanos e interfere diretamente em fenômenos climáticos de grande escala, tornando alguns eventos mais intensos ou frequentes. O meteorologista explicou ainda que até os índices utilizados internacionalmente para monitorar o El Niño precisaram ser atualizados devido às mudanças observadas nas temperaturas dos oceanos nas últimas décadas.
Ao encerrar a entrevista, o meteorologista alertou para a necessidade de evitar tanto o alarmismo quanto a negligência diante das previsões climáticas, defendendo que a população acompanhe as informações meteorológicas ao longo dos próximos meses para compreender melhor os riscos e agir de forma preventiva. “A informação é extremamente importante para que as pessoas fiquem preparadas”, concluiu.
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