Especialista afirma que empresas precisam reforçar controle preventivo para reduzir riscos trabalhistas, previdenciários e de segurança
O crescimento do volume e do valor das ações trabalhistas no país tem levado empresas a ampliar mecanismos de controle sobre contratos terceirizados e relações com prestadores de serviço. O tema foi debatido nesta segunda-feira (11), durante a tradicional RA (reunião-almoço) promovida pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, com palestra do advogado e consultor Adriano Dutra da Silveira.
Segundo o especialista, as ações trabalhistas movimentaram mais de R$ 50 bilhões em 2025, cenário que transformou a gestão de terceiros em uma pauta estratégica dentro das organizações.
Para ele, a terceirização não representa um problema por si só, mas exige acompanhamento constante para evitar passivos trabalhistas, previdenciários e relacionados à saúde e segurança do trabalho. “O problema é a forma como eu vou gerenciá-la. O PJ não é um problema. O STF tem se manifestado que pode ter a chamada pejotização, mas tratar o PJ como um profissional que tem autonomia”, afirmou.
Ao abordar o que chamou de “terceira revolução da gestão de terceiros”, Silveira apresentou a evolução dos modelos utilizados pelas empresas, desde controles manuais e planilhas até sistemas automatizados com inteligência artificial (IA) capazes de analisar documentos integralmente, gerar relatórios em tempo real e acelerar a identificação de irregularidades.
Conforme o advogado, o uso de IA permite maior agilidade e eficiência no monitoramento de fornecedores e prestadores de serviço, reduzindo o tempo de reação diante de problemas. “Com IA, em 24 ou 48 horas eu consigo identificar algo errado e agir rapidamente. A gente consegue ser mais preditivo com isso”, disse.
Silveira também afirmou que a chamada gestão de terceiros vai além do controle de prazos e custos dos contratos, envolvendo a verificação contínua do cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias pelas empresas contratadas. “A gestão de terceiros é uma monitoria constante dessa realidade. É monitorar se o prestador está cumprindo suas obrigações”, afirmou.
Ao tratar dos desafios atuais da área, o especialista elencou pontos considerados prioritários pelas organizações, entre eles a revisão de políticas e processos internos, adequação de contratos, definição de checklists documentais, compliance, ESG, LGPD, simplificação de fluxos, automação e monitoramento de campo. Também citou a necessidade de ações voltadas à prevenção de passivos trabalhistas e à criação de comitês estratégicos de gestão.
