Ênio se tornou réu e passou a responder a processo na 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro
A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), contra o jogado Ênio, que vestia a camisa 97 do Juventude. Ele é suspeito de forçar cartões amarelos em partidas do Campeonato Brasileiro de 2025 para favorecer um esquema de apostas esportivas.
A denúncia foi oferecida ao Poder Judiciário em fevereiro deste ano e aceita na última quinta-feira (23), tornando o investigado réu e permitindo o prosseguimento da ação penal.
Com o recebimento da denúncia, o jogador passou a responder a processo na 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, após o reconhecimento, pelo juízo, da existência de indícios suficientes de autoria e materialidade. A investigação que embasou a denúncia foi conduzida pelo promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, coordenador do 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra, no âmbito da Operação Totonero, deflagrada em maio de 2025.
Segundo o promotor, foram reunidos elementos que indicam um esquema de manipulação de mercados secundários de apostas, especialmente os relacionados à aplicação de cartões em partidas do Campeonato Brasileiro da Série A. “A investigação identificou que, em jogos nos quais o atleta era advertido, ocorria aumento atípico e concentrado de apostas no mercado específico de cartão de jogador, indicando possível conhecimento prévio do resultado por parte de apostadores”, destacou.

OPERAÇÃO TOTONERO
A Operação Totonero foi deflagrada pelo 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra em 20 de maio de 2025, no contexto de um procedimento investigatório criminal instaurado a partir de informações encaminhadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e por entidades internacionais de monitoramento da integridade das apostas esportivas. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, um na residência do atleta e outro no Estádio Alfredo Jaconi, no armário de uso pessoal do jogador à época.
A ação teve como objetivo apurar a manipulação de mercados secundários de apostas, especialmente relacionados à aplicação de cartões em partidas do Campeonato Brasileiro Série A. Durante a fase ostensiva da operação, também foram deferidas medidas cautelares, como a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático, que subsidiaram a denúncia agora aceita pela Justiça.