Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, cumpriu agenda nesta quarta-feira (29) em Estrela e Encantado; objetivo é fomentar atividades turísticas nas fronteiras entre Brasil, Argentina e Uruguai
O Rio Grande do Sul, principal porta de entrada terrestre de turistas internacionais no Brasil, é um dos estados contemplados por uma iniciativa do Ministério do Turismo que tem objetivo de fortalecer a atividade turística em regiões de fronteira. Em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Ministério abriu um edital para contratação de empresa para elaborar diagnósticos e criar planos de ação voltados ao desenvolvimento nas divisas entre os estados e os países vizinhos.
As análises e os estudos serão feitos nas fronteiras de Santa Catarina e Rio Grande do Sul (com Argentina e Uruguai), além das divisas do Amapá e Pará (com Guiana, Suriname e Guiana Francesa); e do Acre, Rondônia e Mato Grosso (com Peru e Bolívia).
O Ministério do Turismo vai lançar, ainda, um edital para elaboração de estudos na fronteira do Mato Grosso do Sul e Paraná (com países do Mercosul).
O Projeto Turismo Fronteiriço na Região Norte – estados do Amazonas e Roraima com a Guiana, Venezuela, Colômbia e Peru, já foi concluído. O resultado pode ser conferido neste link.
O objetivo é identificar oportunidades, orientar investimentos e propor ações capazes de ampliar a integração turística entre os países, melhorar a infraestrutura dos destinos, fortalecer a governança e estimular o desenvolvimento sustentável das cidades de fronteira.
- Para acessar o edital internacional: clique aqui.
- Para acessar o editam em português: clique aqui.
A iniciativa ocorre em um momento de forte expansão do turismo internacional no país. No ano passado, o país registrou a chegada de 9,2 milhões de turistas internacionais – o melhor resultado da história.
De janeiro a junho de 2025 e de 2026, o país atingiu o patamar de mais de 5 milhões de entradas de turistas estrangeiros. O número é bem superior aos 3,5 milhões contabilizados no mesmo período de 2024 e os 3,2 milhões de 2023.
Do total de turistas estrangeiros, Argentina e Uruguai seguem entre os principais mercados emissores para o Brasil, reforçando a importância estratégica da fronteira gaúcha para o turismo nacional.
“Os estudos vão subsidiar políticas públicas para impulsionar a atividade turística, ampliar a competitividade dos destinos e incentivar a criação de roteiros integrados entre municípios brasileiros e países vizinhos”, afirmou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que cumpre agenda no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira (29). (veja mais detalhes abaixo)
As empresas interessadas em participar da seleção poderão apresentar propostas até o dia 14 de agosto.
Área
No Sul, a delimitação da área de estudo abrange a fronteira brasileira (150 km da linha de fronteira para dentro do território brasileiro) dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul com as fronteiras da Argentina e Uruguai.
A empresa selecionada vai mapear localidades com potencial para compor rotas turísticas transfronteiriças, observando suas características ambientais, socioculturais e logísticas, especialmente aquelas situadas ao longo das cidades de Santana do Livramento e Uruguaiana (RS) e Dionísio Cerqueira (SC).
Essas localidades listadas servem como referências mínimas, podendo aumentar a quantidade de acordo com a necessidade do estudo.
A escolha das fronteiras se deve a alguns fatores:
- São claramente os “portões de entrada” dos turistas sul-americanos;
- Já existem iniciativas e cooperações relevantes para o turismo, como o corredor bioceânico e os caminhos dos jesuítas e outras rotas do “Visit South America”;
- São fronteiras mais densamente povoadas onde já existe uma rede de infraestrutura turística que pode ser potencializada ou ampliada;
- São regiões de acesso mais fáceis para a realização de estudos in loco;
- Por já existir um bloco econômico, as discussões de leis e regulamentos supranacionais já estão em estágio mais avançado que as demais fronteiras.
Dados e estatísticas
O estudo vai produzir um detalhado levantamento e análise de dados e estatísticas do turismo na região, além de observar os aspectos sociais.
O plano de ação vai propor, por exemplo, a criação, alteração e adaptação de leis ou regulamentos baseado em experiências internacionais, que incentivem o trânsito fronteiriço e investimentos no setor, respeitando as diretrizes do Direito Internacional e de instâncias multilaterais, como ONU Turismo e Mercosul.
Também vai contar com propostas de incentivos fiscais e isenções como medidas de facilitação turística.
Aprimoramento
Os estudos poderão propor também ações para o aprimoramento dos sistemas de informações e de atendimentos nos portões de entrada dos estados correspondentes. O objetivo é indicar o que pode ser feito em relação aos mecanismos de coleta e aos sistemas de tratamento de dados estatísticos nos portões fronteiriços.
Inventário turístico
O estudo deve realizar um levantamento detalhado do inventário turístico de cidades fronteiriças nos estados correspondentes, onde a atividade turística tem gerado retorno econômico e social significativo. O estudo deve elencar as atrações, infraestrutura e serviços disponíveis, além de analisar o impacto da atividade turística nas comunidades locais.
O levantamento deve identificar ainda as práticas de gestão e promoção turística que podem ser replicadas ou adaptadas para promover o desenvolvimento sustentável de outras áreas fronteiriças, levando em conta as especificidades de cada região e seu potencial turístico.
A empresa selecionada deverá identificar os locais com potencial turístico a até 150 km das fronteiras, no lado brasileiro, considerando a integração a ser promovida pelas rotas de integração sul-americanas, envolvendo: turismo cultural e patrimônio, turismo de natureza, turismo sustentável e responsável, turismo de negócios e eventos, turismo gastronômico, turismo de esportes e aventura, turismo náutico, turismo regenerativo, turismo rural e agroturismo, entre outros segmentos.
Gestão do turismo fronteiriço
Dentre as atividades previstas no plano de ação, uma das mais importantes é a proposição de um modelo de governança para a construção de uma região internacional de planejamento, envolvendo os municípios da fronteira dos estados correspondentes, incluindo a criação de conselhos regionais integrados de meio ambiente, turismo e segurança. A partir daí, será produzido um plano de ações integradas, por meio da elaboração de um Plano Regional Estratégico.
Ainda dentro do plano de ação, será elaborado um relatório contendo a proposição de produtos e roteiros turísticos nos estados correspondentes, não explorados ou pouco explorados, para os municípios que compõem a região dentro dos limites estabelecidos de 150 km da fronteira, ou até 300 km caso o estudo julgue relevante.
Mobilidade
O estudo também vai fazer um levantamento e uma análise da mobilidade e conectividade turística (atual e futura) das principais rotas de acesso, principais aeroportos e portos, considerando tanto os existentes como os previstos nos programas governamentais nacionais de infraestrutura e integração.
Agenda
Nesta quarta-feira (29), o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, cumpriu agenda em Estrela (RS), onde participou do atendimento técnico do Fundo Geral de Turismo (Fungetur) e do Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) – iniciativa que reúne empreendedores, gestores públicos e representantes do trade turístico do Vale do Taquari para apresentar linhas de crédito, orientar sobre políticas públicas e esclarecer dúvidas do setor.
Após participar da cerimônia de abertura do evento, o ministro visitou o Complexo Cristo Protetor, em Encantado, um dos principais atrativos turísticos do Sul do país e um dos maiores monumentos religiosos do mundo.
Com 43,5 metros de altura total, a estátua supera em 5,5 metros o Cristo Redentor do Rio de Janeiro e tem se tornado um atrativo turístico fortíssimo.
O atrativo recebe cerca de 300 mil visitantes por ano. A estimativa é que turistas de mais de 80 países já tenho visitado o complexo.
Por conta de sua magnitude e proximidade, o local atrai um fluxo intenso de turistas da Argentina e do Uruguai, consolidando o Vale do Taquari como um importante polo de turismo religioso e de contemplação.