Presidente da entidade contesta ampliação da parceria para o ensino fundamental, critica gestão dos recursos públicos e afirma que existem alternativas mais econômicas
A possibilidade de ampliar a Parceria Público-Privada (PPP) da Educação para o ensino fundamental voltou a gerar críticas em Caxias do Sul. O Sindicato dos Servidores Municipais (Sindiserv) se posicionou contra a proposta defendida pelo prefeito Adiló Didomenico (PSDB) e afirma que o modelo pode comprometer o futuro da educação pública no município.
A manifestação ocorre após o prefeito declarar que a redução da demanda por vagas em creches e o aumento da procura pelo ensino fundamental levaram a administração municipal a reavaliar o projeto da PPP da Educação.
Para a presidente do Sindiserv, Silvana Piroli, a mudança demonstra falta de planejamento da administração municipal.
“Fizeram todo um contrato para construir creches. Agora dizem que não tem dinheiro porque há muitas creches. Sempre entendemos que essa proposta estava fora da realidade”, afirmou.
Segundo a dirigente sindical, a ampliação da parceria para o ensino fundamental representa, na prática, a transferência de parte da educação pública para a iniciativa privada.
“Querem vender a escola, na prática. Hoje as escolas sobrevivem com poucos recursos repassados pelo município. Quando é para a iniciativa privada, o investimento é muito maior”, criticou.
Silvana argumenta que o contrato poderá comprometer financeiramente futuras administrações, reduzindo a capacidade de investimento na expansão da rede municipal e na valorização dos profissionais da educação.
“Será um valor altíssimo para construção e manutenção. É um dinheiro que o município não tem e que vai impedir ampliar a rede ou melhorar as condições salariais dos professores”, declarou.
A presidente do Sindiserv também afirmou que o sindicato apresentou alternativas à Prefeitura, como a ampliação de escolas já existentes e a reorganização da oferta de vagas, medidas que, segundo ela, teriam custo menor do que a PPP.
Além da crítica ao projeto da educação, Silvana voltou a defender os servidores municipais e rebateu declarações que atribuem a crise financeira do município ao funcionalismo. Segundo ela, o sindicato tem cobrado a revisão de contratos, o redimensionamento de despesas e maior transparência nas contas públicas.
“Não dá para aceitar que a culpa da crise seja colocada nos servidores. É muito melhor abrir essas contas para que a população veja quem realmente é o responsável por essa situação”, concluiu.
A Prefeitura de Caxias do Sul defende a revisão da PPP como forma de adequar o projeto às atuais necessidades da rede municipal de ensino, diante da mudança no perfil da demanda por vagas.