Tradicional caminhada até o Eremitério integrou as celebrações de Corpus Christi e reforçou a devoção ao religioso capuchinho
Milhares de fiéis participaram nesta quinta-feira (4) da 36ª Romaria Vocacional Frei Salvador, em Flores da Cunha. Integrando a programação de Corpus Christi, a tradicional peregrinação reuniu devotos de diversas cidades da região em uma caminhada até o Eremitério Frei Salvador, onde ocorreu a missa campal e as tradicionais bênçãos e distribuição de mudas, sementes e ervas.
Realizada anualmente em homenagem ao religioso capuchinho Frei Salvador Pinzetta, a romaria mantém viva a memória de um dos personagens mais marcantes da fé na Serra Gaúcha. Conhecido pela simplicidade, pela dedicação aos doentes e pela proximidade com a comunidade, o frade segue atraindo milhares de peregrinos ao local onde viveu parte de sua missão religiosa.
Durante a missa campal, o provincial dos Freis Capuchinhos do Rio Grande do Sul, frei Álvaro Morés, destacou que a solenidade de Corpus Christi representa a presença permanente de Cristo junto ao povo e relacionou a celebração ao momento vivido pela comunidade após o incêndio que atingiu a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, no último dia 25.
Em sua homilia, o religioso recordou que as hóstias consagradas foram retiradas intactas do sacrário durante o incêndio e afirmou que o episódio deixou uma mensagem de esperança aos fiéis. “Jesus estava dizendo para vocês: eu estou com vocês. Não tenham medo. Eu estou com vocês, vocês podem contar comigo sempre”, destacou.
Frei Álvaro também incentivou a comunidade a permanecer unida no processo de reconstrução da igreja, lembrando o esforço das gerações que ergueram o templo no início do século passado. “Agora é o momento de vocês, os netos, os filhos [dos que construíram], de se unirem para reconstruir aquela igreja. E eu não tenho nenhuma dúvida que vocês vão fazer isto”, afirmou.
O provincial ainda destacou datas significativas celebradas pelos Capuchinhos em 2026, entre elas os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, os 130 anos da chegada dos primeiros freis capuchinhos ao Rio Grande do Sul e os 80 anos da profissão religiosa de Frei Salvador.
Declarado Venerável pela Igreja Católica em maio de 2019, Frei Salvador tem sua causa de beatificação em andamento no Vaticano. A Igreja aguarda o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão para que o processo avance para as próximas etapas.


“Um santo possível”, diz Frei Álvaro
Em entrevista à Rádio Solaris, concedida antes da missa campal no Eremitério Frei Salvador, Frei Álvaro Morés ressaltou que a principal herança deixada por Frei Salvador está na simplicidade com que viveu sua vocação religiosa.
Segundo ele, o capuchinho continua atraindo milhares de devotos justamente por representar um modelo de santidade próximo da realidade das pessoas. “Ele é um modelo de alguém que não fez grandes coisas, que não construiu grandes projetos, mas viveu uma vida simples, dedicada e amorosa”, afirmou. Para o provincial, Frei Salvador demonstra que a santidade pode ser alcançada no cotidiano, por meio da dedicação à família, ao trabalho e ao serviço ao próximo.
Frei Álvaro também explicou que a causa de canonização segue em andamento no Vaticano. Conforme ele, diversas graças continuam sendo atribuídas à intercessão de Frei Salvador, mas o processo aguarda o reconhecimento oficial de um milagre para avançar às próximas etapas.
Ao comentar o momento vivido por Flores da Cunha, o provincial afirmou que a comunidade tem demonstrado união e fé após o incêndio da Igreja Matriz. Para ele, o episódio reforçou a certeza da presença de Cristo junto ao povo e serviu como incentivo para que os florenses permaneçam mobilizados na reconstrução do principal templo católico do município.