Governador do RS vê decisão como sinal de continuidade da polarização política
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, manifestou frustração com a escolha do Partido Social Democrático (PSD) de definir o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. A manifestação foi divulgada nesta segunda-feira (30), por meio de um vídeo publicado nas redes sociais oficiais do governador.
Sem questionar diretamente a decisão partidária, Leite afirmou que o desfecho “desencanta” e indicou discordar do caminho adotado pela sigla. Segundo ele, há no país um desejo crescente por mais equilíbrio, mais sensatez e mais respeito, sem a necessidade de uma política baseada na divisão.
Ao comentar o cenário nacional, o governador disse que o Brasil “está cansado, muito cansado, de uma disputa que aprisiona o debate entre os extremos” e avaliou que a escolha do partido tende a manter um ambiente de polarização radicalizada.
Leite também ressaltou que, nos últimos dias, recebeu manifestações de apoio de lideranças políticas, economistas e cidadãos, todas apontando para a necessidade de um projeto mais equilibrado para o país. Para ele, isso demonstra que existe espaço — e demanda — por uma alternativa fora dos extremos.
Mesmo sem uma candidatura formalizada, o governador reforçou sua defesa de um projeto de centro, que, segundo ele, deve ser liberal, democrático e comprometido com a conciliação, o diálogo e a construção de soluções reais. Leite afirmou ainda que essa articulação não se encerra com a decisão do partido e deve seguir em construção. “Se não for agora, vai ser logo ali adiante”, declarou.
Caiado será anunciado pré-candidato
A definição do PSD será formalizada na tarde desta segunda-feira (30), em São Paulo. Recém-filiado à sigla, liderada por Gilberto Kassab, Caiado foi escolhido após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior.
O partido tenta se posicionar como alternativa à polarização entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL), (que indicou o filho Flávio para concorrer na eleição), embora as chances eleitorais do PSD ainda sejam consideradas reduzidas.