Após cobrança do prefeito de Flores da Cunha na solenidade de abertura da Fecouva, vice-governador detalhou etapas do projeto em entrevista à Rádio Solaris
A implantação de um sistema regional antigranizo na Serra Gaúcha ganhou novo impulso na sexta-feira (20), durante a abertura da 15ª Festa Colonial da Uva e 5ª Festa do Moranguinho, em Otávio Rocha, interior de Flores da Cunha.
Durante o discurso oficial, o prefeito César Ulian cobrou apoio financeiro do governo do Estado para viabilizar o projeto, destacando que os municípios interessados já estão organizados para colocar o sistema em funcionamento. No palco, o vice-governador Gabriel Souza manifestou apoio à iniciativa. Mais tarde, em entrevista à Rádio Solaris FM 99.1, detalhou como o Estado pode participar da implantação.
Segundo Gabriel, a ideia é utilizar recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis) para financiar um projeto-piloto regional. “Com as contas em dia, o Estado não está mais sacando dinheiro dos fundos. [Então] o recurso do Fundovitis pode ser aplicado exatamente na cadeia vitivinícola, que é o fim para o qual foi criado”, afirmou.
Durante a entrevista o vice-governador também ressaltou que o governo quer iniciar por um piloto regional para avaliar resultados práticos. “Queremos começar entendendo o custo e a efetividade aqui na nossa realidade. Por isso a importância do projeto-piloto”, disse.
Ele acrescentou que novas reuniões já estão agendadas para definição de custos e modelagem operacional, com a intenção de avançar ainda neste semestre.
Como deve funcionar o sistema
O modelo estudado para a Serra é semelhante ao adotado em algumas cidades de Santa Catarina, onde já há operação regional coordenada. Uma comitiva gaúcha, formada por representantes de municípios e do setor produtivo, realizou visitas técnicas ao estado vizinho para conhecer a estrutura.
O sistema prevê a instalação de geradores terrestres que liberam iodeto de prata na atmosfera quando há formação de nuvens com potencial de granizo. A substância atua como núcleo de condensação, estimulando a formação de cristais de gelo menores e reduzindo o tamanho das pedras antes que atinjam o solo.
A proposta em discussão envolve cerca de 30 municípios da Serra e dos Campos de Cima da Serra, com central meteorológica para monitoramento climático, acionamento preventivo dos geradores e operação integrada durante tempestades. O objetivo é reduzir prejuízos especialmente na vitivinicultura e na fruticultura — culturas altamente sensíveis ao impacto do granizo — além de minimizar danos urbanos.
O projeto prevê gestão consorciada entre municípios, participação do setor produtivo e aporte estadual via Fundovitis.