Durante audiência pública na Câmara de Vereadores, sindicato questionou a eficiência do modelo terceirizado e afirmou que a administração direta poderia reduzir despesas e garantir maior estabilidade nos serviços de saúde
Representantes do Sindiserv defenderam, na noite desta segunda-feira (15), a retomada da gestão pública das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Caxias do Sul durante audiência pública promovida pela Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores.
A presidente da entidade, Silvana Piroli, apresentou dados que, segundo o sindicato, apontam um custo adicional de aproximadamente R$ 29,5 milhões por ano com a terceirização da UPA Central em comparação ao modelo de gestão direta pelo município.
De acordo com a dirigente, a principal economia obtida com a terceirização ocorreu pela retirada do adicional pago aos profissionais que atuavam na urgência e emergência, estimado atualmente em cerca de R$ 8,9 milhões anuais. Em contrapartida, o contrato de gestão da unidade soma aproximadamente R$ 38,4 milhões por ano.
Silvana argumentou que os servidores municipais não deixaram a folha de pagamento após a terceirização. Segundo ela, os profissionais foram redistribuídos para outras unidades da rede de saúde, especialmente as UBSs, mantendo os custos com pessoal para o município.
Durante a audiência, o sindicato também questionou se a terceirização atingiu os objetivos anunciados de reduzir despesas e ampliar a eficiência dos serviços. Conforme o Sindiserv, até o momento não foram apresentados indicadores que comprovem ganhos proporcionais na qualidade do atendimento ou na sustentabilidade financeira do modelo.
A entidade ainda destacou problemas registrados nos últimos anos, como atrasos no pagamento de profissionais, paralisações de atendimento, estado de greve de trabalhadores da enfermagem, investigações sobre possíveis irregularidades contratuais e o encerramento de contratos de empresas responsáveis pela gestão das unidades.
Para o sindicato, a municipalização das UPAs deve ser debatida com base em critérios técnicos, financeiros e na qualidade da assistência prestada à população. A defesa da entidade é de que a gestão direta permitiria maior controle dos recursos públicos, valorização dos servidores e mais estabilidade no atendimento aos usuários do sistema de saúde.