Leonardo Barreto apontou dificuldades fiscais, promessas eleitorais e maior oposição no Congresso entre os principais desafios do governo
O quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ser o mais difícil de sua trajetória política, diante da necessidade de conciliar as promessas assumidas durante a campanha eleitoral com as limitações das contas públicas e uma composição mais oposicionista do Congresso Nacional. A avaliação é do cientista político Leonardo Barreto, doutor pela Universidade de Brasília (UnB) e sócio da consultoria de risco Think Policy, que palestrou nesta segunda-feira (26) na RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), com o tema “Cenário político e os desafios para 2027”.
Para Barreto, os desafios do governo reeleito começam imediatamente, antes mesmo da posse para o novo mandato. Segundo ele, o presidente precisará reconstruir a credibilidade junto a setores que não o apoiaram nas urnas e negociar medidas ainda com a atual composição do Congresso, uma vez que a próxima legislatura deverá impor maiores dificuldades à agenda governamental. “O governo Lula 4 se inicia logo depois da eleição. Provavelmente vai ser o governo mais difícil da vida do Lula”, afirmou. Na avaliação do especialista, o principal obstáculo será compatibilizar os compromissos eleitorais com a disponibilidade de recursos públicos, em um cenário de crescente disputa pelo orçamento entre Executivo e Legislativo.
Ao analisar o resultado do segundo turno, Barreto apontou três fatores que, em sua interpretação, contribuíram para a reeleição de Lula: a ampliação de programas e benefícios anunciada pelo governo durante a campanha, a estratégia eleitoral baseada no receio de perda de direitos e benefícios sociais e a rejeição ao bolsonarismo entre eleitores que não tinham os dois candidatos como primeira opção.
Segundo o cientista político, Flávio Bolsonaro teria se aproximado de seu limite de apoio eleitoral já no primeiro turno, enquanto Lula conseguiu ampliar sua votação entre segmentos que inicialmente não demonstravam preferência por nenhum dos dois. Barreto também mencionou a transferência de votos de outros candidatos, a redução de votos brancos e nulos e o comparecimento de eleitores que haviam se abstido no primeiro turno.
Barreto também criticou o que considera uso excessivo de medidas de estímulo e benefícios durante as campanhas, prática que, segundo ele, vem sendo adotada por diferentes governos e amplia as dificuldades de gestão após as eleições. Segundo ele, a radicalização das disputas eleitorais tem estimulado um populismo econômico que compromete a previsibilidade das contas públicas e a confiança dos investidores. Ele defendeu a criação de novos mecanismos institucionais capazes de limitar o uso de recursos públicos com objetivos eleitorais.
Rezler alerta para riscos fiscais e defende responsabilidade com as contas públicas
Na abertura da RA, o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, comentou o resultado das eleições e reafirmou a posição da entidade de seguir atuando em favor das demandas do setor produtivo. Rezler manifestou preocupação com o desequilíbrio fiscal, o crescimento dos gastos públicos, a carga tributária, a insegurança jurídica e a perda de competitividade das empresas brasileiras. Também alertou para a necessidade de o governo compatibilizar as promessas eleitorais com a realidade das contas públicas.
“O momento exige serenidade, articulação e trabalho”, afirmou, ao defender o fortalecimento das empresas e suas entidades representativas e a busca de interlocução com os representantes eleitos para o Executivo e o Legislativo federais. O presidente disse ainda que a agenda da entidade seguirá priorizando a responsabilidade fiscal, a redução da carga tributária, os investimentos em infraestrutura, a qualificação profissional e a melhoria do ambiente de negócios.
Rezler também destacou os resultados da 35ª Mercopar, realizada na semana passada em Caxias do Sul pelo Sebrae e pelo Sistema Fiergs. A feira movimentou R$ 1,644 bilhão em negócios, crescimento de 55% em relação a 2025, resultado que, segundo ele, demonstra a capacidade de reação e iniciativa do setor produtivo.
Marcas no Tempo homenageia os 50 anos do Sescon Serra Gaúcha
A RA também marcou a comemoração dos 50 anos do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas da Região Serrana do Rio Grande do Sul (Sescon Serra Gaúcha). Durante a programação, Ubiratã Rezler entregou uma placa comemorativa à presidente do sindicato, Andreaa Reolon, em reconhecimento às cinco décadas de atuação da entidade na representação e no fortalecimento do setor de serviços contábeis e de assessoramento. Marcas no Tempo é uma iniciativa da CIC Caxias que reconhece empresas e instituições que celebram aniversários de fundação e que, ao longo de sua trajetória, contribuíram para o desenvolvimento econômico e social da Região.
