O presidente da fundação Neri Basso projeta futuro com foco em inovação, transformação de resíduos em matéria-prima e consolidação como referência ambiental no país
A Fundação Proamb celebrou, na noite desta quinta-feira (16), seus 35 anos de atuação com um evento em Bento Gonçalves que reuniu lideranças, parceiros, autoridades e representantes do setor produtivo. A solenidade marcou também o início de um novo ciclo de expansão da instituição, que hoje se consolida como um dos mais completos ecossistemas de soluções ambientais do Sul do país.
Criada em 1991 por um grupo de empresários com o objetivo de oferecer uma destinação adequada aos resíduos industriais, a Proamb evoluiu de uma iniciativa pioneira para uma estrutura com oito unidades de negócio, distribuídas em quatro municípios, atuando desde análises laboratoriais e engenharia ambiental até operações de alta complexidade, como aterro industrial e blendagem para coprocessamento.
Em entrevista à Rádio Solaris FM 99.1, o presidente da Fundação, Neri Basso, resumiu a essência da atuação da entidade ao afirmar que “nós somos, vamos dizer assim, o lixeiro das indústrias”, explicando que a fundação recebe os resíduos gerados pelas empresas e busca dar a destinação mais adequada possível, priorizando a transformação desse material em novas soluções ambientais.
Segundo ele, a Proamb atua principalmente na industrialização desses resíduos, transformando grande parte do material em combustível derivado de resíduos (CDR), utilizado nos fornos de cimento de indústrias cimenteiras dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Outro destaque da operação é a blendagem para coprocessamento, processo em que diferentes tipos de resíduos são misturados para atingir o poder calorífico ideal para utilização industrial. Segundo o presidente, trata-se de uma combinação técnica que permite o reaproveitamento eficiente dos materiais. “São vários tipos de resíduos, então nós precisamos atingir 4 mil quilos calorias em cima disso, então tu faz a mistura com resíduo com mais poder calorífico ou com menos e faz o que a gente chama de blend”, explicou.
A planta localizada em Nova Santa Rita, dedicada a esse processo, é considerada uma das mais avançadas da América Latina e opera com tecnologia europeia de ponta. Basso ressaltou que a Fundação investe constantemente nos melhores equipamentos disponíveis no mercado internacional para garantir excelência operacional.
O presidente também reforçou que a Fundação trabalha com a visão de se tornar uma referência global dentro do terceiro setor. Segundo ele, “nós queremos ser um case mundial”, destacando que poucas instituições no mundo possuem um modelo semelhante ao desenvolvido pela Proamb, que alia sustentabilidade, gestão eficiente e retorno econômico.
Lançamento do livro dos 35 anos
Durante a celebração, a Fundação também lançou um novo livro que resgata sua trajetória e projeta os próximos passos da organização. A obra aborda desde a implantação do aterro industrial em Pinto Bandeira até a consolidação da unidade de blendagem, além de apontar os objetivos para os próximos anos.
Segundo Basso, o livro também ajuda a mostrar a transformação do modelo de negócio da Fundação. “Hoje estamos fazendo aterro ou combustível. Agora vamos partir para fazer matérias-primas tiradas dos resíduos”, afirmou, destacando que a meta futura é transformar, por exemplo, resíduos plásticos em plástico virgem para comercialização junto às indústrias, ampliando ainda mais o conceito de economia circular.
Para ele, o crescimento sustentável da instituição passa diretamente por gestão eficiente e valorização das pessoas. “Eu acredito em ser humano e acredito em gestão. A tecnologia sozinha não faz; quem tira o melhor dela é o ser humano”, ressaltou, ao defender que bons resultados empresariais dependem da combinação entre planejamento estratégico, qualificação técnica e valorização das equipes .
Entrega de certificados
Além da solenidade, a noite foi marcada pela entrega do certificado Proamb ReCO₂nhece a 61 empresas parceiras, reconhecimento destinado às organizações que contribuíram, ao longo de 2025, para a redução de emissões de gases de efeito estufa por meio da destinação correta de resíduos industriais à blendagem para coprocessamento.