Estudo da UCS busca transformar um resíduo comum da araucária em material usado no tratamento de água e na filtragem de emissões industriais
Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) está avaliando o potencial da casca de pinhão para a produção de carvão ativado, material utilizado no tratamento de água, efluentes industriais e na filtragem de emissões atmosféricas.
O estudo está na fase inicial e pretende identificar se o resíduo da araucária apresenta características que o tornem uma matéria-prima viável para essa aplicação. Os testes são realizados em laboratório, com menos de 10 quilos de casca, e a expectativa é que essa etapa seja concluída entre seis meses e um ano.
Um dos pesquisadores do projeto, Rafael Spohr, explica que a iniciativa surgiu a partir de estudos anteriores sobre o aproveitamento de resíduos agrícolas. “No final do ano passado, nós trabalhamos com carvão ativado feito a partir de caroço de pêssego. É natural aproveitar algo que é próprio da nossa região, como a casca do pinhão. O que normalmente é descartado pode se transformar em um produto de valor comercial e ambiental”, afirma.
Para produzir o carvão ativado, a casca passa por um processo de pirólise, em que é aquecida na ausência de oxigênio, seguido de uma ativação química, etapa que aumenta sua capacidade de absorver impurezas.
Segundo os pesquisadores, ainda não é possível afirmar se a casca do pinhão tem vantagens em relação às matérias-primas já utilizadas. Os resultados servem de base para novos estudos e, caso sejam identificadas propriedades ou técnicas inéditas, poderão resultar no registro de patentes.