O Conselho Municipal de Saúde de Caxias do Sul manifestou repúdio à decisão da Prefeitura de não dar continuidade à implantação da Policlínica no município. Em nota pública divulgada nesta sexta-feira (6), a entidade questionou os motivos que levaram ao abandono do projeto, após meses de negociações entre representantes do Conselho e o Executivo municipal.
Segundo o documento, o Conselho participou de reuniões para buscar alternativas que viabilizassem a construção da unidade, incluindo mudanças na escolha do terreno e ajustes no projeto para reduzir a contrapartida financeira do Município. A proposta previa até R$ 30 milhões em recursos federais do Novo PAC, sendo R$ 16,9 milhões inicialmente destinados à obra e outros R$ 13,1 milhões para equipamentos, mobiliário e estruturação do serviço.
A nota também lembra que a Prefeitura havia divulgado, em março deste ano, um investimento de aproximadamente R$ 28 milhões para a construção da Policlínica, com cerca de R$ 17 milhões de recursos federais e R$ 11 milhões de contrapartida municipal. O Conselho destaca que a possibilidade de reduzir essa participação financeira foi discutida durante as tratativas.
Outro ponto levantado é a aprovação, pela Câmara de Vereadores, do financiamento de até R$ 550 milhões solicitado pela Prefeitura. Conforme o Conselho, a Policlínica estava entre os projetos que poderiam receber recursos dessa operação. A entidade afirma que a implantação da unidade chegou a ser vinculada pelo prefeito à aprovação do financiamento e questiona o que mudou para que a proposta fosse abandonada.
O Executivo municipal justificou a mudança de estratégia com o direcionamento dos recursos para a construção e melhoria de Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O Conselho, no entanto, argumenta que os dois serviços têm funções diferentes e complementares no SUS: enquanto as UBSs são a porta de entrada da rede pública, a Policlínica ampliaria a oferta de consultas especializadas e atendimentos de média complexidade.
Na manifestação, a entidade afirma que a desistência poderá manter dificuldades de acesso da população a consultas e exames especializados, além de cobrar transparência sobre os motivos que levaram à interrupção do projeto. O Conselho reafirmou o compromisso com o fortalecimento do SUS e com a ampliação da assistência pública em Caxias do Sul.