Projeto inédito prevê contratação de 72 árbitros com salário mensal, bônus por desempenho e avaliações permanentes a partir de março
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta terça-feira (27) o primeiro modelo de profissionalização da arbitragem nacional da história da entidade. O novo programa prevê a contratação, por temporada, de equipes fixas de árbitros para atuar nas partidas da Série A do Campeonato Brasileiro ao longo do ano.
Ao todo, serão 72 profissionais contratados: 20 árbitros centrais — sendo 11 do quadro da Fifa —, 40 árbitros assistentes (20 da Fifa) e 12 árbitros de vídeo (VAR), todos credenciados pela entidade internacional. Os profissionais receberão salários mensais, além de taxas variáveis e bônus por desempenho, e deverão se dedicar prioritariamente à arbitragem, sem exigência de exclusividade.
Segundo a CBF, os árbitros contarão com suporte técnico, físico e psicológico, além de acompanhamento médico, nutricional e fisioterápico. O desempenho será avaliado de forma contínua por observadores e por uma comissão técnica, com critérios como aplicação das regras, controle do jogo, preparo físico e comunicação. Um ranking será atualizado rodada a rodada, e ao fim de cada temporada ao menos dois profissionais de cada função poderão ser rebaixados, com promoção de novos nomes.
Durante o lançamento do programa, no Rio de Janeiro, o presidente da CBF, Samir Xaud, afirmou que a iniciativa segue padrões adotados por grandes federações internacionais e busca corrigir uma lacuna histórica no futebol brasileiro. Até então, os árbitros atuavam como freelancers, sem vínculo formal com a confederação, sendo remunerados por partida.
O programa também prevê planos individualizados de treinamento, rotina semanal de atividades físicas, monitoramento tecnológico e quatro avaliações anuais, incluindo testes físicos e simulações de jogo. A rede de apoio contará com preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo.
Elaborado ao longo de 2025 por um grupo de trabalho com participação de clubes das Séries A e B, federações, árbitros e consultores internacionais, o novo modelo começa a operar oficialmente em março. O investimento previsto é de R$ 195 milhões para o biênio 2026–2027.
