Moradores protestaram contra retirada de semáforos e defendem construção de viaduto ou elevada no trevo
Com faixas e cartazes, moradores dos bairros Monte Bérico e Santa Lúcia lotaram a audiência pública realizada nesta segunda-feira (18) para discutir a segurança no acesso pela ERS-122, em Caxias do Sul. O principal alvo das críticas foi a retirada dos semáforos do trevo, prevista nas obras de duplicação executadas pela concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG).
O encontro reuniu representantes da comunidade, vereadores, deputados estaduais, integrantes da concessionária e o prefeito Adiló Didomenico.
A população questiona a substituição das sinaleiras por uma rótula alongada, solução prevista no projeto da obra. Moradores lembraram que o cruzamento ficou conhecido pelo alto número de acidentes, muitos deles fatais, antes da instalação dos semáforos em 2014, após um acordo judicial entre a Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMTTM) e o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (Daer). Desde então, segundo a comunidade, os acidentes diminuíram.
Ao final da audiência, moradores entregaram um abaixo-assinado aos deputados pedindo a permanência das sinaleiras no trevo. Também foi definido como encaminhamento da reunião o pedido de audiência com o governador do Estado e representantes do Daer para discutir alternativas para o acesso ao bairro.
A comunidade também pretende procurar o Ministério Público para solicitar a suspensão provisória das obras no local até que haja uma definição sobre a retirada dos semáforos.
O que dizem os envolvidos
Ao ocupar a tribuna, a representante dos moradores, Nádia Mendes, afirmou que a população teme voltar a conviver com a insegurança no trecho. “Não aceitamos que o progresso de Caxias do Sul seja pavimentado com risco da nossa comunidade. A vida de quem transita por Monte Bérico e Santa Lúcia deve ser prioridade absoluta”, declarou. Segundo ela, os moradores “clamam por segurança e pelo direito de transitar”.
Durante a audiência, o prefeito Adiló Didomenico disse apoiar a mobilização da comunidade e defendeu que a discussão avance para uma solução definitiva. “Por mais que a gente defenda o semáforo, temos que aproveitar o apoio dos deputados, da Assembleia, da Câmara e da comunidade mobilizada para trabalhar no sentido do viaduto”, afirmou.
O presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação da Câmara, vereador João Uez, criticou a ausência de representantes do governo do Estado na audiência. Em tom duro, afirmou que, caso ocorram novos acidentes fatais após a retirada das sinaleiras sem outra solução viária, haverá responsabilidade do Executivo estadual. “Se ali ocorrer alguma morte em função da retirada da sinaleira e não uma construção de um viaduto ou de uma elevada, só se tem um nome para o responsável dessa morte: Eduardo Leite”, declarou.
Representando a Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Pepe Vargas defendeu que o Estado utilize recursos do Fundo de Reconstrução para viabilizar uma obra em desnível no trecho. “O Estado tem R$ 14 bilhões no fundo de reconstrução. É muito simples: o Estado assume a construção dessa elevada, que é uma solução definitiva”, disse.
Pela concessionária CSG, o diretor-administrativo Ricardo Peres afirmou que a obra prevista no contrato é resultado de estudos técnicos realizados pela empresa e que o modelo da rotatória alongada não permite a manutenção dos semáforos. Segundo ele, a solução projetada deve atender a demanda pelos próximos 20 anos.
Peres reconheceu, no entanto, que uma elevada seria mais segura. “É lógico que a elevada é muito mais segura. Não existe cruzamento mais seguro do que um cruzamento em desnível”, afirmou. Em seguida, ponderou que a obra não está prevista no contrato da concessão. “O que está sendo colocado ali é o que está no preço do pedágio hoje”, acrescentou.