Usuários e permissionários contestam decisão e pedem manutenção do serviço
A possível extinção do serviço de taxi-lotação, conhecido popularmente como “azulzinho” em Caxias do Sul, tem gerado mobilização entre usuários e prestadores, que buscam reverter a decisão do poder público. O tema será discutido em audiência pública marcada para esta quinta-feira (7), às 19h, na Câmara de Vereadores.
Em operação há quase 26 anos, o sistema é apontado como alternativa complementar ao transporte coletivo urbano, atendendo principalmente trabalhadores e estudantes em deslocamentos diários. As linhas ligam diferentes regiões da cidade, como bairros ao entorno do Shopping Villagio, com horários fixos durante a semana e demanda considerada estável.
A decisão de encerrar o serviço foi tomada com base em posicionamento do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes e comunicada em abril. No entanto, representantes do setor argumentam que o órgão possui caráter consultivo, e defendem que a medida ainda pode ser revista pela administração municipal.
A repercussão tem sido acompanhada por manifestações de insatisfação, inclusive nas redes sociais. Um abaixo-assinado organizado pela vereadora Rose Frigeri (PT) reúne assinaturas de pessoas contrárias ao fim do serviço, enquanto usuários defendem a manutenção e a modernização do serviço, em vez do encerramento das atividades.
Paralelamente, a Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMTTM) realiza levantamento de dados sobre a utilização do transporte, incluindo número de passageiros e pontos de embarque e desembarque. As informações devem subsidiar a análise do tema.
O presidente da associação taxi-lotação (ACTL), Everton Silveira, lamenta a decisão do Poder Público. “Nós como prestadores do serviço há quase 26 anos, sempre foi com as nossas próprias forças. Não fomos ajudados, subsidiados, nada. Inclusive, até pelo contrário. A gente pediu por duas vezes a renovação da frota em 2012 e 2017 e isso não foi autorizado? Então, é uma pena. É uma pena que, no final, o serviço esteja indo para esse caminho da extinção. Mas existe ainda, tanto de parte da associação como de parte da população que usa também, uma reviravolta. Vamos torcer para que o prefeito analise melhor esse tema e não tome uma decisão equivocada“.
Permissionários afirmam que o serviço sempre operou sem subsídios públicos e relatam dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, como a negativa de pedidos para renovação da frota. A expectativa dos envolvidos é que o debate público contribua para uma reavaliação da decisão.
