As empresas precisam compreender as expectativas individuais dos trabalhadores e oferecer oportunidades de crescimento para evitar a perda de profissionais. Essa foi uma das principais mensagens do reitor da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Asdrubal Falavigna, durante reunião-almoço do Centro Empresarial de Flores da Cunha, realizada nesta sexta-feira (6), no restaurante Dolce Itália, da Escola de Gastronomia da UCS, junto ao Parque da Vindima.
Com o tema “Talentos para ficar: o desafio de formar e reter profissionais na Serra Gaúcha”, Falavigna questionou a ideia de que os funcionários precisam se adaptar às organizações. Para ele, as empresas também precisam rever seus processos e considerar os objetivos pessoais e profissionais de cada colaborador. “Se a gente tratar todas elas da mesma maneira, com certeza, mais da metade [dos profissionais] a gente não vai conseguir encantar”, afirmou.
O reitor avaliou que a Serra gaúcha já reúne características que favorecem a atração de profissionais, como oportunidades de trabalho, qualidade de vida e acolhimento. O desafio, segundo ele, está em transformar essas condições em motivos para que os trabalhadores permaneçam na região.
Entre as alternativas, Falavigna apontou a necessidade de conhecer individualmente os funcionários e identificar suas perspectivas de crescimento. Ele citou uma metodologia utilizada pela própria UCS, baseada em conversas individuais para levantar as necessidades de cada colaborador e apresentar recomendações às lideranças.
As oportunidades podem envolver cursos, mudanças de função ou experiências em outras unidades da empresa, inclusive no exterior. Para o reitor, os gestores também precisam desenvolver habilidades de comunicação e acolhimento para fortalecer a conexão dos funcionários com as organizações.
Universidade mais próxima das empresas
A aproximação entre formação acadêmica e mercado de trabalho também esteve entre os assuntos da palestra. Falavigna defendeu que a universidade esteja cada vez mais presente nas empresas para acompanhar as transformações tecnológicas e identificar as competências exigidas pelos diferentes setores.
O reitor citou iniciativas em que as aulas acontecem dentro das próprias organizações, com a participação de profissionais das empresas no processo de ensino. A proposta é aproximar os estudantes da realidade do mercado desde o início da graduação. “Essa inserção tem que acontecer já desde o início do curso”, destacou.
Segundo Falavigna, a aproximação também permite que a universidade atualize conteúdos e práticas de ensino a partir das demandas do setor produtivo, enquanto as empresas contribuem diretamente com a formação dos futuros profissionais.