Projeto de R$ 27 bilhões prevê nova unidade em Barra do Ribeiro, com início das obras estimado para 2027
A CMPC espera obter nas próximas semanas a Licença Prévia para avançar com o Projeto Natureza, que prevê a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul. O empreendimento foi apresentado nesta segunda-feira (21), durante RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias).
Segundo o diretor-geral de Celulose da CMPC Brasil, Antonio Lacerda, o cronograma do projeto foi atrasado por questões relacionadas ao licenciamento ambiental e a questionamentos do Ministério Público Federal (MPF).
Com investimento anunciado de R$ 27 bilhões, o projeto inclui a nova unidade industrial, ações de conservação ambiental, silvicultura e melhorias na infraestrutura logística. A fábrica deve acrescentar cerca de 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano à capacidade da empresa no Estado.
A expectativa é que as obras comecem no início de 2027, caso o processo de licenciamento avance conforme o cronograma. Depois da Licença Prévia, ainda deve ser necessária a Licença de Instalação. Somente após essa etapa o conselho da empresa pode deliberar sobre a aprovação definitiva do investimento.
A implantação da fábrica deve levar cerca de 36 meses. A previsão da companhia é colocar a unidade em operação até o fim de 2029. No pico das obras, o projeto deve gerar cerca de 12 mil empregos. Também são estimados 1,5 mil postos na operação industrial e 3,2 mil na operação florestal.
Impasse com o MPF
Parte das discussões envolve a definição da área de influência do empreendimento e as consultas a comunidades tradicionais. Conforme Lacerda, o entendimento defendido pelo Ministério Público Federal (MPF) amplia essa área para 132 comunidades tradicionais e cerca de sete mil pescadores.
O diretor técnico da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Gabriel Ritter, afirmou durante o evento que o órgão está cumprindo os procedimentos previstos no processo de licenciamento. Segundo ele, após a manifestação relacionada ao componente indígena, a fundação poderá concluir seus pareceres.
Lacerda também relatou que a CMPC manteve reuniões com o MPF para tentar chegar a um acordo. Segundo o executivo, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) chegou a ser elaborado, mas não foi assinado. Posteriormente, conforme o relato, o procurador ingressou com uma ação civil pública.
Apesar do atraso, a CMPC afirma que mantém o projeto. A companhia estima ainda destinar cerca de R$ 5 bilhões a fornecedores do Rio Grande do Sul durante a implantação do empreendimento e pretende realizar, em parceria com a Fiergs, uma rodada de negócios para ampliar a participação de empresas gaúchas.
Para o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, o caso também levanta discussões sobre segurança jurídica e previsibilidade para grandes investimentos no Estado.