Análise das imagens de radar indica que danos foram provocados por fortes rajadas de vento durante o temporal da noite de terça-feira (28) em Flores da Cunha
Os estragos provocados pelo temporal que atingiu o distrito de Mato Perso, em Flores da Cunha, na noite de terça-feira (28), não foram causados por um tornado. A avaliação é do meteorologista da Rádio Solaris, Leandro Puchalski, que analisou as imagens de radar e descartou a ocorrência desse tipo de fenômeno, assim como de uma microexplosão atmosférica.
Segundo Puchalski, os dados não apresentam nenhuma assinatura característica desses eventos. Para ele, os danos foram provocados por fortes rajadas de vento associadas à passagem da tempestade. “É uma rajada forte de vento mesmo, na passagem de um temporal. Não aparece nenhuma assinatura de tornado ou microexplosão”, afirmou.
Puchalski explica que é comum associar cenários de destruição à ocorrência de um tornado ou de uma microexplosão. No entanto, ele ressalta que, embora esses fenômenos sempre provoquem danos, o contrário não é verdadeiro. “Todo tornado, toda microexplosão causa destruição. Mas nem toda destruição é provocada por eles, porque existem outros fatores que interferem”, afirma o meteorologista.

O temporal atingiu Mato Perso por volta das 23h30min, acompanhado de chuva de granizo e fortes rajadas de vento. Apesar da intensidade, ninguém ficou ferido.
Segundo ele, rajadas de vento entre 70 e 90 km/h, associadas à passagem de uma tempestade, já são suficientes para provocar destelhamentos, derrubar árvores e causar danos estruturais, dependendo das características das edificações e da intensidade localizada do vento.
De acordo com a Prefeitura de Flores da Cunha, foram registrados danos na Igreja Santa Juliana, que teve vidros quebrados e parte da parede lateral derrubada, no Salão da Comunidade, na Escola Municipal Antônio de Souza Neto — onde parte do telhado do prédio e da cobertura do ginásio foi arrancada —, além da Subprefeitura e da Unidade Básica de Saúde.
O levantamento dos prejuízos em residências e propriedades particulares ainda está em andamento.