Em entrevista à Rádio Solaris, senador criticou a condução do processo contra o ex-presidente, falou sobre as eleições de 2026 e defendeu investimentos em obras na Serra Gaúcha
O senador pelo Rio Grande do Sul e ex-vice-presidente da República, Hamilton Mourão (Republicanos), afirmou que Jair Bolsonaro venceria a eleição presidencial caso não estivesse preso. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Solaris FM 99.1, durante agenda em Flores da Cunha, na manhã desta sexta-feira (3).
Ao comentar o cenário político nacional, Mourão classificou como uma “injustiça legal” o processo envolvendo o ex-presidente e disse acreditar que a ação deve ser anulada no futuro. Também falou sobre as eleições de 2026, defendeu o uso das emendas parlamentares e respondeu a críticas sobre sua atuação como senador pelo Rio Grande do Sul.
Antes da entrevista, o parlamentar visitou o gabinete do prefeito César Ulian e o Centro Empresarial de Flores da Cunha. Mourão também esteve na Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, que foi atingida por um incêndio no último dia 25 de maio.
Na quinta-feira (2), esteve vistoriando obra da ponte sobre o Rio das Antas, entre Nova Pádua e Nova Roma do Sul, empreendimento que recebeu R$ 7,3 milhões em recursos destinados por seu mandato. Na oportunidade foi recebido pelos prefeitos Itamar Bernardi e Roberto Panazzolo.
Processo contra Bolsonaro
Ao falar sobre o cenário nacional, Mourão criticou a condução do processo envolvendo Jair Bolsonaro. Segundo ele, houve irregularidades durante a tramitação da ação e, por isso, acredita que a decisão deve ser revista no futuro.
Na avaliação do senador, “se o presidente não estivesse preso era o candidato natural” e ele tem “absoluta certeza” de que Bolsonaro venceria a disputa presidencial diante do atual cenário político.
Eleições de 2026
Mourão também analisou o cenário eleitoral para 2026. Em relação à disputa pela Presidência da República, disse que o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato do partido, segue competitivo, mas afirmou que divergências dentro da família Bolsonaro e outros episódios recentes dificultam sua candidatura neste momento. Apesar disso, avaliou que o cenário ainda está em construção.
Ao falar sobre a eleição para o governo do Rio Grande do Sul, Mourão afirmou que a disputa deve ser acirrada. Sem citar os demais pré-candidatos (Juliana Brizola, do PDT e Gabriel Souza, do MDB), reiterou apoio ao tenente-coronel Luciano Zucco (PL) e defendeu que a campanha seja baseada em propostas, e não em ataques aos adversários. Segundo ele, os candidatos devem apresentar “ideias factíveis”, e não “promessas de que vamos vender terreno na Lua”.
Ponte e emendas parlamentares
Outro tema da entrevista foi a construção da ponte sobre o Rio das Antas, entre Nova Pádua e Nova Roma do Sul. Mourão destacou que a obra recebeu R$ 7,3 milhões em emenda de seu mandato e defendeu esse instrumento como forma de atender demandas dos municípios.
Segundo ele, “Brasília não enxerga Nova Pádua, não enxerga Nova Roma, não enxerga essa região dos vales. Quem enxerga somos nós, os parlamentares”. Para o senador, a nova ligação reduz a dependência da balsa, facilita o transporte de pessoas e mercadorias e impulsiona o desenvolvimento regional.
Em tom de crítica ao atual modelo de travessia, afirmou que “balsa é coisa do século XIX”.
Atuação no Rio Grande do Sul
Durante a entrevista, Mourão também respondeu às críticas de que permaneceria pouco tempo no Estado. O senador afirmou que divide sua rotina entre Brasília e o Rio Grande do Sul, onde mantém agenda frequente com prefeitos, vereadores e lideranças regionais.
Segundo ele, o trabalho parlamentar é desenvolvido principalmente no Senado Federal, onde integra comissões como Constituição e Justiça, Segurança Pública, Agricultura, Assuntos Econômicos e Ciência e Tecnologia, sem deixar de visitar regularmente os municípios gaúchos.
Ao encerrar a entrevista, Mourão defendeu a construção de consensos na política. Segundo ele, “a política é uma atividade transacional, que envolve acordo” e “só tem vitória se há acordo”, destacando que os resultados dependem da atuação coletiva.