Municípios têm até 3 de novembro para aderir ao programa
O projeto de implantação de um sistema antigranizo na Serra Gaúcha foi lançado oficialmente nesta quarta-feira (30), em evento realizado na Vinícola Luiz Argenta, em Flores da Cunha. A primeira etapa para os municípios interessados já tem prazo definido: as prefeituras têm até 3 de novembro para apresentar a documentação e se habilitar ao programa.
A partir da habilitação, o cronograma prevê análise técnica e documental, prazo para recursos e homologação. Depois dessa etapa, começa a aquisição dos equipamentos. O pedido dos geradores está previsto para janeiro de 2027, conforme a quantidade definida para cada município.
Os equipamentos terão prazo estimado de três a quatro meses para fabricação. Paralelamente, a partir de 1º de março de 2027, começa o levantamento dos locais onde os geradores devem ser instalados, incluindo a vistoria das áreas.
Depois da fabricação e entrega dos equipamentos, o cronograma estabelece até 60 dias úteis para a instalação. Assim, considerando os prazos máximos apresentados durante o evento de apresentação do projeto, a instalação pode avançar para julho ou agosto do próximo ano. No entanto, a data oficial de conclusão não foi divulgada.
Veja o cronograma
– Até 3 de novembro de 2026: municípios apresentam propostas e documentos para habilitação;
– Após a habilitação: análise técnica e documental;
– 5 dias: prazo para eventuais recursos;
– 10 dias: análise dos recursos, resultado e homologação;
– Janeiro de 2027: pedido dos equipamentos, conforme a quantidade definida para cada município;
– 3 a 4 meses: prazo estimado para fabricação dos geradores;
– 1º de março de 2027: início do levantamento e vistoria dos locais de instalação;
– Após o recebimento dos equipamentos: instalação, com prazo de até 60 dias úteis.
Um dos pontos exigidos das prefeituras é a garantia de recursos para a manutenção dos equipamentos. Conforme o cronograma apresentado no evento, até a homologação, prevista para 3 de novembro, o município deverá ter uma lei municipal aprovada que assegure a manutenção do sistema, com previsão na Lei Orçamentária Anual (LOA).
160 equipamentos serão adquiridos
A iniciativa reúne quatro cooperativas do Sicredi — Serrana, Pioneira, Região dos Vales e Ibiraiaras — em um investimento conjunto de pelo menos R$ 8 milhões para a aquisição dos equipamentos. A previsão apresentada é de compra de 160 geradores, que serão doados aos municípios participantes.
Segundo o diretor de Negócios da Sicredi Serrana Odair Dalagasperina, 19 municípios já haviam se habilitado dentro de um total de 25 que estão aptos a participar desta etapa. Para essas 19 cidades, a estimativa inicial de investimento na aquisição dos equipamentos é de R$ 8,5 milhões.
O projeto foi construído em parceria entre as cooperativas, o governo do Estado, o Consevitis e os municípios. Dalagasperina destacou que a proposta surgiu a partir da busca por uma alternativa preventiva aos prejuízos causados pelo granizo, citando como um dos episódios que motivaram a iniciativa a perda de mais de 90% da produção de uva de Nova Pádua em 2018.
Como vai funcionar o sistema
Os geradores são equipamentos terrestres automatizados que utilizam uma tecnologia de origem francesa e são fabricados no Brasil pela AGF (Anti-Granizo Fraiburgo Ltda.). Quando são identificadas condições favoráveis à ocorrência de granizo, o sistema realiza a dispersão de iodeto de prata na atmosfera.
Além da aquisição, o projeto prevê um modelo de manutenção dos equipamentos. Conforme apresentado no evento, o Fundovitis pode custear entre 20% e 30% das despesas anuais de manutenção, conforme indicadores relacionados à produção de uva e à área produtiva. O restante deve ser garantido pelos municípios, por meio de legislação própria.
Nesse primeiro momento, os equipamentos devem ser instalados em cidades da Serra Gaúcha, alcançando áreas de produção de uva e hortifrúti. O projeto também prevê a possibilidade de atendimento a municípios do Vale do Caí e localidades limítrofes.