Tratado integra mercado de 720 milhões de pessoas e projeta impacto positivo na economia brasileira até 2040
O Mercosul e a União Europeia assinaram neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, o acordo de livre comércio negociado há mais de duas décadas. O tratado cria uma das maiores áreas de integração econômica do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões.
A cerimônia de assinatura contou com a presença dos chefes de Estado dos países do Mercosul, com exceção do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pela União Europeia, participaram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Lula optou por realizar um encontro bilateral com Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro, na sexta-feira (16), véspera do ato oficial.
Pelos termos do acordo, o Mercosul se compromete a eliminar tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia ao longo de um período de até 15 anos. Em contrapartida, os países europeus eliminarão progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do bloco sul-americano em até dez anos.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. A projeção indica um impacto positivo de 0,46% no PIB brasileiro até 2040, o equivalente a cerca de US$ 9,3 bilhões. Para o Mercosul como um todo, a estimativa é de crescimento de 0,2%, enquanto a União Europeia teria incremento de 0,06%.
Ainda segundo o levantamento, os investimentos no Brasil podem crescer 1,5% em um horizonte de 15 anos, com aumento de 3% tanto nas exportações quanto nas importações, reforçando a expectativa de maior integração comercial e ampliação do fluxo de negócios entre os dois blocos.