IPCA repete resultado de dezembro e acumula 4,44% em 12 meses, dentro do limite de tolerância da meta do governo
A inflação oficial do país fechou janeiro em 0,33%, mesmo resultado registrado em dezembro, pressionada principalmente pela alta dos combustíveis e parcialmente compensada pela queda na conta de luz. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com o resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 4,44% nos últimos 12 meses, permanecendo dentro do limite máximo de tolerância da meta de inflação, que vai até 4,5%. Em janeiro de 2025, o índice havia sido de 0,16%.
A gasolina foi o item de maior impacto individual sobre o índice, respondendo por 0,10 ponto percentual (p.p.) da inflação do mês. Já a energia elétrica residencial exerceu o principal alívio, com impacto negativo de 0,11 p.p., após a adoção da bandeira tarifária verde em janeiro.
Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, sete apresentaram alta de preços e dois registraram queda. O maior impacto veio do grupo transportes, que subiu 0,60% e respondeu por 0,12 p.p. do IPCA. Na sequência aparecem saúde e cuidados pessoais (0,70%), alimentação e bebidas (0,23%) e comunicação (0,82%).
O grupo habitação recuou 0,11%, influenciado pela redução média de 2,73% na conta de luz. Vestuário também teve queda, de 0,25%.
Combustíveis e transportes
Os combustíveis subiram, em média, 2,14% em janeiro. A gasolina teve alta de 2,06%, refletindo o reajuste do ICMS, que passou a valer em todo o país na virada do ano. Também houve aumento nos preços do etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%).
No transporte público, o ônibus urbano subiu 5,14%, após reajustes de tarifas em capitais como Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Vitória. Em contrapartida, os preços de transportes por aplicativo (-17,23%) e das passagens aéreas (-8,9%) recuaram no período.
No fim de janeiro, a Petrobras anunciou redução de 5,2% no preço da gasolina nas refinarias. Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, ainda será necessário aguardar para verificar como esse corte chegará ao consumidor final.
Alimentos
O grupo alimentação e bebidas, que representa cerca de 21% do orçamento das famílias, subiu 0,23% em janeiro, o menor resultado para o mês desde 2006. A alimentação no domicílio avançou 0,10%, com quedas expressivas no leite longa vida (-5,59%) e no ovo de galinha (-4,48%).
Por outro lado, itens como tomate (20,52%) e carnes (0,84%) registraram alta. Segundo o IBGE, fatores climáticos e a trajetória recente de queda do dólar ajudaram a conter os preços de parte dos alimentos.
A alimentação fora do domicílio subiu 0,55%, com aumento de 0,66% nas refeições e de 0,27% nos lanches.
Meta e cenário
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Desde novembro, o IPCA permanece dentro desse intervalo. Desde 2025, o cumprimento da meta passou a ser avaliado com base nos 12 meses imediatamente anteriores.
O índice de difusão, que mede o percentual de itens com aumento de preços, ficou em 64% em janeiro, acima dos 60% registrados em dezembro.
O grupo de serviços subiu 0,10%, a menor variação desde junho de 2024, acumulando alta de 5,29% em 12 meses. Já os preços monitorados avançaram 0,53% no mês e 7,48% no acumulado anual, impulsionados por combustíveis, tarifas de ônibus e taxas de esgoto.
O IPCA mede o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e tem coleta de preços em 16 regiões do país, incluindo dez regiões metropolitanas e capitais como Brasília, Goiânia, Campo Grande e Rio Branco.