Entre os alvos está um vereador
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou nesta sexta-feira (18) a Operação Cinesia, que investiga o suposto desvio de mais de R$ 2 milhões em recursos do Fundo Municipal de Saúde de Porto Alegre destinados à execução de emendas parlamentares. A operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão em Porto Alegre e Imbé.
Segundo o MPRS, entre os investigados estão um vereador da Capital, um servidor do Legislativo Municipal, um advogado e dirigentes de uma organização da sociedade civil (OSC) que executava projetos financiados com recursos públicos. Os quatro foram presos preventivamente durante a operação.
A investigação aponta que parte dos recursos destinados aos projetos de saúde teria sido retirada das contas específicas dos termos de fomento e transferida para contas de livre movimentação da própria entidade. Posteriormente, conforme o Ministério Público, os valores teriam sido distribuídos entre empresas, dirigentes, agentes públicos e outras pessoas ligadas ao grupo investigado.
Uma empresa relacionada à administração da organização recebeu mais de R$ 1,9 milhão dos valores analisados. De acordo com o MPRS, a partir dessa empresa foram identificados repasses para integrantes do grupo e outros investigados. Também foram encontrados indícios de movimentações posteriores destinadas a recompor contas fiscalizadas e criar uma aparência de regularidade na aplicação dos recursos.
Investigação
Conforme a apuração apresentada pelo MPRS, quando foram solicitados extratos bancários das contas utilizadas nos projetos, teriam sido realizados empréstimos em nome da entidade para que parte dos recursos retornasse às contas submetidas à fiscalização.
A atual administração da organização investigada não é apontada como integrante dos fatos apurados e, segundo o Ministério Público, está colaborando com o fornecimento de documentos e informações.
A operação foi coordenada pela 8ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e da Brigada Militar. As diligências envolvendo o advogado investigado foram acompanhadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A investigação permanece sob sigilo. As acusações e suspeitas descritas pelo MPRS ainda são objeto de apuração e não representam condenação dos investigados.




