Fenômeno deve ganhar força nos próximos meses e pode provocar impactos no regime de chuvas e temperaturas
O El Niño previsto para 2026 e 2027 pode se tornar um dos episódios mais intensos já registrados na era moderna. As projeções mais recentes indicam que o fenômeno ainda deve ganhar força nos próximos meses e atingir o pico entre o fim deste ano e o início de 2027.
O aquecimento das águas do Pacífico tropical vem sendo acompanhado pela combinação de temperaturas elevadas abaixo da superfície do oceano e ventos de Oeste. Em algumas áreas, a temperatura da água chega a ficar mais de 10°C acima da média em profundidade.
Na região do Niño 3.4, um dos principais pontos utilizados para acompanhar o fenômeno, a anomalia da temperatura da superfície do mar chegou a 2,6°C pelo índice ONI. O nível é considerado muito forte e já se aproxima de marcas observadas em alguns dos episódios mais intensos da era moderna.
As projeções indicam que o aquecimento ainda pode aumentar nos próximos três a quatro meses. A mediana dos modelos aponta para uma anomalia próxima ou superior a 4°C no pico do fenômeno. Caso esse cenário se confirme, o episódio poderá superar em intensidade alguns dos principais eventos registrados no século 20.
A NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, estima atualmente em 95% a probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte.
Impactos no clima
A intensidade do fenômeno aumenta a preocupação com possíveis alterações no clima em diferentes regiões do planeta. O El Niño modifica a circulação atmosférica e pode favorecer períodos de chuva intensa, estiagem e temperaturas acima ou abaixo da média.
Essas mudanças podem ter reflexos na agricultura, nos recursos hídricos e no abastecimento de água.
Episódios excepcionalmente fortes registrados no passado também provocaram impactos climáticos e sociais em diferentes partes do mundo. Um dos exemplos citados por pesquisadores é o evento ocorrido entre 1789 e 1793, associado a períodos de seca severa em regiões como Índia e Egito.
Para o Rio Grande do Sul, o acompanhamento do fenômeno será especialmente importante, já que alterações no padrão de circulação atmosférica podem influenciar diretamente a distribuição das chuvas e a ocorrência de eventos extremos no Estado.