Mandante recebeu pena de 22 anos e dois executores foram condenados a 12 anos cada; MPRS vai recorrer das penas
Três homens denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foram condenados pelo Tribunal do Júri em Vacaria após um ataque a tiros que deixou um adolescente de 15 anos e um homem de 26 anos feridos. O julgamento começou na segunda-feira (10) e terminou na madrugada desta terça-feira (11).
O homem apontado como mandante recebeu pena de 22 anos de reclusão, enquanto os dois executores foram condenados a 12 anos de prisão cada. O MPRS informou que irá recorrer das penas por considerar que elas não correspondem à gravidade dos crimes.
Segundo a denúncia, os três condenados integram um grupo criminoso que teria planejado a execução de um rival em meio a uma disputa relacionada ao tráfico de drogas e ao controle de pontos de venda de entorpecentes em Vacaria.
No entanto, os executores teriam entrado por engano na residência vizinha ao imóvel onde acreditavam que o alvo estava. Dentro da casa, foram efetuados pelo menos 27 disparos de arma de fogo.
Um adolescente de 15 anos foi atingido por 12 tiros, enquanto um homem de 26 anos foi atingido por dois disparos. Apesar da gravidade dos ferimentos, os dois sobreviveram. Conforme a investigação, nenhuma das vítimas tinha envolvimento com a disputa que motivou o ataque.
De acordo com o MPRS, o adolescente ficou com sequelas permanentes em decorrência dos disparos.
Quarto denunciado foi absolvido
O julgamento ocorreu sob forte esquema de segurança, com bloqueios nas ruas de acesso ao Fórum de Vacaria e reforço no policiamento.
Atuaram no plenário os promotores de Justiça Lais Saboia Souto, de Vacaria, e Rafael Graboski dos Santos, de Portão.
Ao final do julgamento, um quarto homem que também havia sido denunciado pelo MPRS foi absolvido, conforme pedido feito pelo próprio Ministério Público.
A promotora Lais Saboia Souto destacou o impacto da violência relacionada ao tráfico sobre moradores em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, o adolescente tinha o sonho de jogar futebol e ficou com sequelas permanentes após ser atingido pelos disparos.
O promotor Rafael Graboski dos Santos afirmou que o Ministério Público considerou positiva a decisão do júri, mas irá recorrer das penas aplicadas aos três condenados.