Dois óbitos entre pessoas vacinadas estão entre os casos analisados; governo afirma que ainda não há comprovação de relação com a vacina
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o registro de 42 casos de eventos adversos considerados mais graves em pessoas que receberam a vacina. Entre os casos investigados, três pacientes precisaram de internação e dois morreram.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda não é possível afirmar que os episódios tenham sido causados pela vacina. No entanto, os registros foram considerados um sinal de alerta e motivaram a interrupção preventiva da estratégia de imunização para aprofundar as investigações. “A descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que Ministério da Saúde, Anvisa e Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos”, afirmou Padilha durante coletiva de imprensa.
A suspensão vale apenas para a vacina do Instituto Butantan e não afeta a aplicação da Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda e utilizada normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 500 mil doses da vacina do Butantan já haviam sido aplicadas até o fim de maio. O imunizante foi incorporado ao SUS no início deste ano e vinha sendo utilizado em municípios-piloto para avaliar seu impacto na dinâmica de transmissão da dengue. A vacinação ocorreu inicialmente em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), com público-alvo de 15 a 59 anos.
O governo federal ressaltou que a suspensão não invalida a eficácia da vacina nem significa que os casos registrados tenham relação comprovada com a imunização. O objetivo da medida é permitir a realização de estudos adicionais para identificar possíveis fatores de risco entre os pacientes que apresentaram reações adversas.
Antes da suspensão, estudos divulgados pelo Instituto Butantan apontavam que a vacina apresentava eficácia superior a 80% contra casos graves da doença e perfil de segurança considerado favorável, com eventos adversos graves classificados como raros.